A Sociedade Portuguesa de Pneumologia lamentou hoje que a reabilitação respiratória, que alivia sintomas e evita idas a urgência, esteja disponível para apenas 1% dos doentes e defendeu o alargamento aos centros de saúde e domicílios. Nutrição é parte integrante desta reabilitação.
Em comunicado, a que a Lusa teve acesso, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) defende que para melhorar o acesso dos doentes a estes programas – que incluem exercícios, técnicas respiratórias e apoio na mudança de comportamentos – a reabilitação respiratória deve sair dos hospitais e estender-se aos cuidados primários, redes comunitárias e até ao domicílio.
Citado no comunicado, Carlos Figueiredo, do grupo de trabalho da Reabilitação Respiratória da SPP, sublinha a necessidade de sair de “um modelo centrado no centro especializado”.
Muito mais do que calorias: “Nem toda a gente precisa de perder peso para melhorar a saúde”
“Os cuidados de saúde primários e as redes comunitárias até de domicílio podem ser uma efetiva estrutura que permita um aumento do acesso, com a formação adequada e disseminada por todos os locais potenciais e uma boa articulação com os centros especializados / hospitais / centros de investigação”, defende.
Carlos Figueiredo recorda que os ganhos destes programas são “diversos, significativos e multifatoriais” e destaca a melhoria dos sintomas e da qualidade de vida do doente, assim como o aumento da capacidade de exercício.
Diz ainda que a reabilitação respiratória está associada a uma redução das exacerbações da doença, das necessidades de internamento e do número de idas à urgência. Os benefícios estendem-se a menor absentismo laboral e escolar.
“Alguns dados apontam para redução da mortalidade”, acrescenta o especialista.
Santa Maria da Feira: A nutrição que se faz à mesa e se aprende na escola
O programa de reabilitação respiratória integra exercício (aeróbico e de fortalecimento muscular), técnicas respiratórias, educação, apoio à adoção de comportamentos saudáveis, mas também apoio nutricional.
A SPP sublinha a “evidência [prova] robusta” da reabilitação respiratória na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) estável ou em situações de crise, assim como os resultados que tem obtido nas restantes doenças respiratórias crónicas, e defende que este é um dos tratamentos mais custo-eficazes disponíveis.
No comunicado, divulgado a propósito do Dia Nacional da Reabilitação Respiratória, que se assinala a 21 de abril, a SPP aponta também resultados no doente internado/agudo – desde a enfermaria aos cuidados intensivos -, melhorando a evolução clínica.




