A Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) alertou esta quarta-feira (10) para os riscos associados aos esteróides anabolizantes, sublinhando que estas substâncias têm um impacto muito grave na saúde e podem mesmo constituir um problema de saúde pública.
A SPEDM refere que existem várias razões para usar esteróides anabolizantes, desde a performance desportiva, melhoria da imagem corporal e rapidez de resultados. Antigamente eram usados por atletas de elite, como ‘doping’, mas cada vez mais são consumidos por atletas amadores, podendo adquiri-los através da internet ou de contrabando.
Em declarações à agência Lusa, a presidente da SPEDM, Paula Freitas, afirmou que estas substâncias, que em contexto clínico são usados quando existe uma deficiência comprovadas de testosterona, “têm um impacto muito grave na saúde e chegam mesmo a ser um problema de saúde pública”.
A endocrinologista chamou a atenção para algumas práticas em contextos ligados ao treino físico “muito pouco recomendáveis” ligadas aos esteróides anabolizantes, lamentando o facto de “as pessoas às vezes ouvirem mais rapidamente uma pessoa sem formação do que “alguém que andou a estudar, a trabalhar e teve formação para isso”.
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“Alguma coisa tem que ser feita porque, às vezes, temos ‘influencers’ a terem muito mais impacto do que um cientista”, lamentou, defendendo que essa informação deve ser produzida “pelas sociedades científicas, pelas universidades, pelas faculdades, pelos jornalistas que fazem o bom serviço público”.
Paula Freitas referiu que muitas pessoas recorrem aos esteroides anabolizantes para aumentar a massa muscular e melhorar a aparência física, mas devem saber os “imensos efeitos secundários” que têm.
Explicou que estas substâncias “podem dar comportamentos de adição, podem dar agressividade, alterações até do comportamento, podem dar depressão, podem dar psicose”.
Apontou também consequências hematológicas e metabólicas, incluindo alterações do perfil lipídico. “Podem aumentar o colesterol, podem diminuir o colesterol das HDL, o colesterol bom, podem ter efeitos pró-aterogénicos, aumentar a aterosclerose”, explicou.
Ao nível hepático, estas substâncias “podem estar associadas a vários tipos de danos”, incluindo dano hepatocelular, hepatite e hepatadenomas.
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A especialista alertou ainda que, apesar do aumento da massa muscular procurado pelos utilizadores, “podem dar rutura muscular” e “aumento do risco de tendinose”.
Paula Freitas destacou igualmente o impacto cardiovascular destas substâncias. “Muitas vezes têm impacto em termos de hipertensão, hipertrofia do ventrículo esquerdo, risco aumentado de aterosclerose, risco de trombose”, afirmou.
Referiu ainda repercussões ao nível da função renal e do sistema reprodutor. Nos homens, os esteroides anabolizantes “podem dar diminuição de espermatozoides, ou mesmo ausência de espermatozoides”, além de atrofia testicular, aumento do tamanho da próstata, impotência, ginecomastia (aumento da mama). Podem ainda estar associados ao cancro da próstata.
Nas mulheres, “podem dar hipertrofia do clitóris, irregularidades menstruais, dar atrofia uterina”, explicou.
“Muitas vezes as pessoas buscam este tipo de fármacos para ter uma determinada compleição física, mas esquecem-se de todos os malefícios que estes fármacos podem ter na sua saúde”, realçou.
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Questionada sobre se têm surgido mais casos associados ao consumo destas substâncias, Paula Freitas respondeu que “cada vez aparece mais”, sublinhando que a SPEDM desenvolveu uma campanha para alertar para os perigos dos esteroides anabolizantes.
Paula Freitas disse ainda que estão descritos casos de problemas psiquiátricos associados ao consumo de esteroides anabolizantes, incluindo situações de aumento do risco de suicídio. “Isto tem que se dizer, que existem estes perigos e que não vale tudo”, afirmou.




