“Serão os nutricionistas que dominam a IA a substituir os outros nutricionistas”

A 2.ª edição da VIVER SAUDÁVEL – Nutrition Summit & Exhibition (VS-NSE) acontece a 20 e 21 de novembro, na Cordoaria Nacional, em Lisboa. Em antecipação, falámos com o nutricionista Rodrigo Abreu, que integra o painel ‘IA e Tecnologia ao serviço da Nutrição’, com Carolina Bastos (NutriWatch), Francisco Ribeiro (Alos Health) e Gil Azevedo (Unicorn Factory).

A Inteligência Artificial (IA) está a transformar rapidamente a nossa vida coletiva, e a saúde não é exceção. “A digitalização da saúde é um processo que já tem alguns anos e os avanços da IA apenas vieram acelerar esta transformação digital dos cuidados de saúde, em particular na Nutrição“, começa por explicar Rodrigo Abreu.

Na área clínica, “temos hoje bases de dados alimentares mais completas que podem ser utilizadas de forma mais eficaz pelos nutricionistas, o que torna a elaboração de ementas e planos alimentares mais rápida e mais completa“. Neste sentido, continua, as ferramentas de IA também permitem otimizar a comunicação com os utentes e melhorar a adesão às estratégias nutricionistas.

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Além disso, “a capacidade da IA agregar e analisar grandes volumes de dados impacta também as áreas da Nutrição Comunitária e da Restauração Coletiva, pois permite análises mais detalhadas de dados de consumo alimentar, apoiando decisões de saúde pública, desenvolvimento da oferta alimentar ou redução de desperdício“. Ou seja, e de forma agregada, podemos dizer que “todas as áreas de atuação são impactadas, na medida em que todos podemos otimizar algo na nossa prática com estas novas capacidades”.

A validação humana

Com o proliferar de chatbots e de aplicações de IA a que recorrer para conselhos alimentares, o nutricionista deve procurar distinguir-se enquanto especialista. “Apesar dos avanços de IA, e do aparato de muitos destes instrumentos – que parecem ter resposta para tudo – é preciso ter noção das limitações que ainda têm“, alerta.

Estas ferramentas, “mesmo com pressupostos corretos, cometem ainda vários erros nos outputs que produzem – imprecisões, informações descontextualizadas e respostas contraditórias são alguns exemplos das chamadas ‘alucinações’ na IA”. E é precisamente este cenário que exige “um reforço enorme da necessidade de validação humana, em particular pelos nutricionistas“. Para já, acredita, “não será a IA a substituir os nutricionistas, mas serão os nutricionistas que dominam a IA a substituir os outros nutricionistas“.

O papel emocional e social

Uma vez que a tecnologia pode potenciar a intervenção nutricional em larga escala, até que ponto ela nos pode aproximar de uma nutrição verdadeiramente personalizada? Para Rodrigo Abreu, “a evolução tecnológica trouxe grande capacidade de armazenar e tratar dados rapidamente, permitindo elaborar estratégias nutricionais muito mais individualizadas a partir de um conjunto mais alargado de inputs“.

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Ainda assim, “o acompanhamento nutricional personalizado depende também de fatores emocionais e relacionais, que nem sempre cabem no algoritmo“, pelo que os nutricionistas, acrescenta, terão de se adaptar porque, “ficando libertos das tarefas de cálculo de calorias ou equivalências nutricionais, poderão trabalhar os aspetos psicossociais da alimentação”.

Para o nutricionista, a ideia de uma nutrição personalizada baseada numa avaliação meramente técnica como, por exemplo, através de uma análise genética ou avaliação de parâmetros bioquímicos, “não é compatível com o papel emocional e social da alimentação“. Por isso, e em jeito de conclusão, Rodrigo Abreu considera que “um plano alimentar tecnicamente válido não garante a adesão ou os resultados, precisamente porque comer não é apenas ingerir as calorias e nutrientes certos“.

A Cidade da Nutrição

A menos de um mês do arranque, são já largas as centenas de participantes que reservaram o seu lugar na VS-NSE, que se estreia este ano em Lisboa, depois da primeira edição realizada na Exponor, em Matosinhos. Nos dois palcos programados, haverá espaço para conversas inspiradoras, workshops práticos com especialistas e tempo para pensar o futuro da Nutrição e da Saúde. Destaques para a zona Care – com testes, rastreios e avaliações gratuitas de saúde e bem-estar – e para a área de Showcooking ao vivo, com receitas saudáveis, sabores inovadores e dicas práticas de cozinha. Na área Discover, teremos ativações de marca, onde o visitante pode descobrir todas as novidades e inovações. Também haverá a nova área Play, pensada para os mais novos.

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As inscrições estão abertas e são gratuitas para profissionais de saúde, estudantes de ciências da vida, investigadores e outros profissionais da indústria alimentar e farmacêutica, que podem participar nos dois dias. Também o público em geral poderá participar no dia que lhe é dedicado, 21 de novembro, mediante inscrição prévia.