Prémios VS 2026: Os finalistas a ‘Projeto do Ano – Nutrição Comunitária e Saúde Pública’

Estão escolhidos os finalistas a ‘Projeto do Ano – Nutrição Comunitária e Saúde Pública‘ dos Prémios VIVER SAUDÁVEL (VS) 2026. Os vencedores serão conhecidos no próximo dia 20 de novembro, na Cordoaria Nacional, em Lisboa, na gala que celebra a Nutrição e os Nutricionistas.

Após avaliar as candidaturas, o júri da categoria selecionou os projetos ‘Código Digital de Alimentos‘ (FCNAUP e ISPUP), ‘Nutrir para Sorrir‘ (ULS do Algarve) e ‘Senior Medical School‘ (Nova Medical School) como finalistas.

As escolhas de Carla Gonçalves (Conselho de Especialidade de Nutrição Comunitária e Saúde Pública da Ordem dos Nutricionistas), Helena Real (Associação Portuguesa de Nutrição), Liliana Sousa (Ordem dos Nutricionistas), Lino Mendes (Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica), Maria João Gregório (Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS) e Paulo Silva (VIVER SAUDÁVEL) basearam-se em relevância e fundamentação, efetividade e impacto na população, replicabilidade e sustentabilidade. 

Código Digital de Alimentos

Promovido pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP) e pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), este projeto tem como responsável Pedro Graça, diretor da FCNAUP, a que se juntam a investigadora Inês Castela, responsável pela candidatura, bem como as nutricionistas Inês Figueira, Marta Figueira, Diana Lopes, Juliana Martins e Joana Carriço, a professora auxiliar convidada Margarida Bica e o médico interno André Vicente.

O ‘Catálogo Digital de Alimentos’ transformou a informação dispersa nos rótulos alimentares numa plataforma pública, gratuita e baseada em evidência científica. Como primeira plataforma portuguesa de monitorização contínua da oferta alimentar, torna acessível informação rigorosa e independente sobre os alimentos comercializados em Portugal, promovendo escolhas alimentares mais informadas e apoiando profissionais de saúde, investigação e políticas públicas. Simultaneamente, integra Portugal nas iniciativas europeias de monitorização da oferta alimentar.

“Recebemos esta nomeação com enorme orgulho e entusiasmo, mas sobretudo com um forte sentido de responsabilidade e compromisso. É, para nós, um reconhecimento do trabalho de toda uma equipa que, ao longo dos últimos anos, se tem dedicado à construção de uma ferramenta pública, gratuita e baseada em evidência científica, que pode ser utilizada por consumidores, profissionais de saúde, investigadores e decisores”, explica Inês Castela. Para a responsável, esta nomeação é também um incentivo para que a equipa continue a desenvolver o projeto, reforçando o seu contributo para uma oferta alimentar mais transparente e saudável.

O Catálogo Digital de Alimentos procura responder a uma necessidade muito concreta, uma vez que, explica, Portugal não dispunha de uma plataforma pública e abrangente que permitisse conhecer e acompanhar, de forma sistemática e metodologicamente harmonizada, a composição dos alimentos disponíveis no mercado. “O nosso desafio foi transformar dados dispersos nos rótulos dos alimentos em conhecimento acessível e útil. Hoje, qualquer pessoa pode consultar e comparar, de forma simples e intuitiva, a composição nutricional, a lista de ingredientes e outras informações de mais de 5.500 produtos alimentares comercializados em Portugal”, refere.

Neste sentido, chegar até aqui implicou “ultrapassar desafios importantes”. O primeiro “foi a própria dimensão e complexidade da informação”, pelo que “os dados de milhares de produtos foram recolhidos e introduzidos manualmente e posteriormente sujeitos a um processo de validação independente, garantindo o rigor e a qualidade da informação disponibilizada”. Outro grande desafio é acompanhar um mercado alimentar em permanente mudança. “Os produtos são reformulados, mudam de nome, de embalagem ou de formato de apresentação. Para conseguirmos identificar e acompanhar o mesmo produto ao longo do tempo, desenvolvemos uma metodologia de record linkage, que permite associar o mesmo produto em diferentes momentos de recolha e, assim, monitorizar a evolução da oferta alimentar”, continua Inês Castela.

Por fim, “havia um desafio que para nós era essencial, que era como transformar uma enorme quantidade de informação técnica numa ferramenta que fosse simultaneamente útil e fácil de utilizar”. Foi precisamente para responder a esta questão que a equipa desenvolveu “dashboards interativos, que permitem explorar e visualizar, de forma dinâmica, intuitiva e infográfica, a evolução do perfil nutricional dos alimentos“.

Nutrir para Sorrir

Promovido pela Unidade Local de Saúde do Algarve, E.P.E., através do Departamento de Cuidados de Saúde Primários, do Centro de Saúde de Vila Real de Santo António, da Unidade de Cuidados na Comunidade Santo António de Arenilha e da Unidade de Saúde Oral (USO), este projeto tem como responsável a nutricionista Lisa Bela Soromenho Gonçalves, a que se juntam Isabel Palma, higienista oral, e várias educadoras de infância e assistentes operacionais dos estabelecimentos de ensino participantes.

O projeto ‘Nutrir para Sorrir’ articula a nutrição e a saúde oral em contexto pré-escolar, promovendo simultaneamente a alimentação saudável e a saúde oral. Combinando diagnóstico, educação e monitorização, envolveu crianças, famílias e escolas, criando um modelo multidisciplinar, estruturado, sustentável e replicável. Destaca-se pelo seu contributo para a promoção da Saúde Pública, pelo potencial de replicação noutras comunidades e pela capacidade de responder de forma integrada a desafios da promoção da saúde infantil.

“Recebemos esta nomeação com muita satisfação e gratidão. Estar entre os três finalistas é, para nós, um reconhecimento muito especial do trabalho que temos vindo a desenvolver em Saúde Escolar, na promoção da alimentação saudável e da saúde oral. Reforça também a nossa convicção de que investir na prevenção e na promoção de estilos de vida saudáveis é essencial para alcançar ganhos em saúde”, garante Lisa Gonçalves.

Uma vez que os rastreios de saúde oral “continuavam a evidenciar a presença de cárie dentária já em idade pré-escolar e, ao mesmo tempo, as educadoras partilhavam a sua preocupação relativamente à qualidade dos lanches que as crianças traziam de casa”, a conjugação destes dois aspetos “mostrou-nos a importância de tornar a intervenção entre a Nutrição e a Saúde Oral mais estruturada, permitindo fazer um diagnóstico mais claro da situação, identificar necessidades e orientar a atuação de forma mais ajustada à realidade encontrada“. Neste sentido, esta nomeação representa “o reconhecimento de um trabalho conjunto”, com toda a comunidade educativa, e anda uma motivação para continuar a aprender, a melhorar e a desenvolver novas intervenções.

Uma das principais particularidades do projeto ‘Nutrir para Sorri’r é a articulação entre a nutrição e a saúde oral numa intervenção conjunta e estruturada, adaptada ao contexto pré-escolar. Segundo a nutricionista Lisa Gonçalves, a iniciativa procurou também refletir uma prática já habitual em saúde escolar, através da criação e adaptação de materiais lúdico-pedagógicos que permitem transmitir mensagens sobre alimentação saudável e higiene oral de forma “simples, apelativa e adequada à idade das crianças”.

O projeto foi além das sessões educativas, ao avaliar a qualidade dos lanches trazidos de casa e acompanhar a sua evolução ao longo do tempo, articulando esta componente com atividades de saúde oral, como rastreios, treino da escovagem e aplicação de verniz de flúor. Entre os principais desafios, Lisa Gonçalves destaca o reforço do envolvimento das famílias, admitindo que “a participação na sessão dirigida aos pais e encarregados de educação acabou por ser reduzida”, apesar da adesão às autorizações necessárias para a implementação das diferentes atividades.

Para Lisa Gonçalves, a candidatura a esta distinção representa também o reconhecimento de um trabalho construído em parceria com os agrupamentos de escolas, a comunidade educativa e a equipa local de Saúde Escolar. A nutricionista sublinha que o projeto assenta em “recursos simples e de baixo custo” e que a metodologia desenvolvida pode ser adaptada a outros contextos, esperando que possa “inspirar outros profissionais das áreas da nutrição e da saúde oral a desenvolverem iniciativas em conjunto“.

Senior Medical School – Programa Comunitário Participativo 

Promovido pela Nova Medical School – Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, este projeto tem como responsável de candidatura Mariana Nóbrega, coordenadora do Serviço à Comunidade, e conta com a médica Ana Maria Rodrigues, as nutricionistas Conceição Calhau, Margarida Silva e Beatriz Nogueira, a nutricionista estagiária Mafalda Fabrício de Almeida e a fisioterapeuta Mariana Carvalho.

A iniciativa procura transformar a nutrição num motor de mudanças sustentáveis de comportamento. Promove a alimentação saudável como pilar de uma intervenção multidimensional para promover capacidade funcional, autonomia e qualidade de vida. Distingue-se pela aplicação da ciência comportamental, combinando-a com ensino ativo e experiencial, aprendizagem intergeracional e cocriação. Já envolveu mais de 450 seniores e 700 estudantes, aproximando a universidade da comunidade através de um modelo inovador, sustentável e replicável.

A nomeação foi recebida “com enorme orgulho, mas sobretudo com um sentido de responsabilidade”, afirma Mariana Nóbrega. Para a responsável, ser finalista nesta categoria representa o reconhecimento de um projeto que nasceu da convicção de que promover a saúde não passa apenas por transmitir informação, mas também por “criar condições para que as pessoas se sintam capazes e confiantes para transformar esse conhecimento em escolhas no seu quotidiano“.

Mariana Nóbrega considera ainda que a distinção reconhece “uma forma diferente de fazer Nutrição Comunitária: próxima das pessoas, participativa, intergeracional e integrada com outras dimensões da saúde“. A responsável sublinha que a alimentação é encarada “não como um conjunto de prescrições, mas como uma competência para a vida”, acrescentando que a nomeação valoriza também o papel que uma escola médica pode assumir junto da comunidade, ao “levar ciência para fora dos seus muros e, simultaneamente, deixar que a comunidade transforme a forma como ensinamos, investigamos e promovemos saúde”.

A Senior Medical School distingue-se por envolver pessoas mais velhas, estudantes e profissionais de saúde numa aprendizagem intergeracional. Na área da nutrição, esta abordagem traduz-se em atividades práticas, como Medicina Culinária, preparação de refeições e leitura de rótulos, procurando “passar da recomendação à competência e da competência à ação”, explica Mariana Nóbrega.

Entre os principais desafios esteve a criação de uma rede de parceiros e a aproximação a populações mais afastadas das iniciativas de promoção da saúde. Para responder a estas dificuldades, o projeto apostou numa estratégia de proximidade, embora, como reconhece Mariana Nóbrega, “o maior desafio continua a ser chegar a quem está mais afastado das respostas existentes”.

Para Mariana Nóbrega, a Senior Medical School distingue-se por demonstrar que a Nutrição Comunitária pode ser “uma ferramenta concreta de autonomia, prevenção e qualidade de vida”. A responsável destaca ainda o caráter participativo da iniciativa, que cruza Medicina, Nutrição, Medicina Culinária, ciência comportamental e aprendizagem intergeracional, colocando cidadãos, estudantes e profissionais de saúde “no mesmo espaço de aprendizagem”. Com edições já descentralizadas na Madeira e em Oeiras, o projeto está agora a desenvolver um modelo de transferência que permitirá adaptar a metodologia a outras comunidades e municípios.

Celebrar a Nutrição e os Nutricionistas

Os Prémios VIVER SAUDÁVEL são organizados pela Revista VIVER SAUDÁVEL e aconteceram pela primeira vez em 2021. Trata-se de uma iniciativa anual que visa distinguir a excelência e premiar o que melhor se faz na Nutrição em Portugal e os Nutricionistas que, pelo seu trabalho diário em prol da melhoria da Saúde dos portugueses, nas mais diversas áreas, elevam as Ciências da Nutrição.

Que comece a contagem: Faltam 30 dias para a VS-NSE

Os Prémios VIVER SAUDÁVEL visam celebrar a Nutrição e os Nutricionistas portugueses enquanto promotores de uma sociedade mais saudável. Evidenciar o papel dos Nutricionistas, enquanto agentes estruturais da Saúde Pública, e a Nutrição, como ciência nuclear na Saúde Humana. Construir um espaço privilegiado para a relação e troca de experiências entre os diversos players da área da Nutrição.

Além desta categoria, a Gala da Nutrição celebra o/a ‘Nutricionista do Ano‘, o ‘Projeto do Ano – Alimentação Coletiva e Restauração’, o ‘Produto do Ano – Inovação‘ e, pela primeira vez, o galardão de ‘Mérito e Excelência‘.