O XXV Congresso de Nutrição e Alimentação (CNA) da Associação Portuguesa de Nutrição (APN) arrancou esta quinta-feira, na Alfândega do Porto, com um recorde de inscrições. Perante a crescente desinformação associada a esta área do saber, a cerimónia de abertura do maior congresso de nutrição e alimentação do país salientou a importância da ciência como antídoto para uma vida mais saudável.
“Não foi só a nutrição que mudou” nos últimos 25 anos, começou por afirmar Nuno Borges, presidente da Comissão Científica do CNA pelo 15.º ano consecutivo – uma função que concluirá nesta edição para, com “honra” e “alguma emoção”, dar lugar a novos colegas e visões.
Hoje, “vivemos tempos mais agitados” do que quando este evento se formou, garantiu. “Atravessamos incertezas e desafios que se traduzem na nutrição e na alimentação”, disse ainda, ao apontar como obstáculos o excesso de informação, as simplificações perigosas e a desinformação. “Neste contexto, a ciência assume um papel essencial, porque nos oferece rigor e espírito crítico”, deixou claro.
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Por sua vez, Maria João Gregório, diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), destacou “o importante papel da APN na promoção das ciências da nutrição em Portugal”, principalmente num contexto de “enorme circulação de informação muitas vezes incorreta e inconsistente”.
“Garantir a segurança alimentar é apenas parte de um caminho” onde a “promoção da ciência” tem um peso considerável, explicou, por sua vez, Paula Garcia, subinspetora-geral da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). Já João Gonçalves, diretor-geral da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), deixou a ideia de que “é sempre bom duvidar um pouco” do que vemos, tendo em conta a desinformação presente na sociedade. O responsável deixou ainda o alerta de que a reforma da educação nas mãos do Estado contempla a extinção das cinco direções dos serviços regionais da DGEstE, o que “abre um novo paradigma nas cantinas escolares”.
Enquanto copresidente da Comissão Organizadora e nova presidente da APN, Liliana Ferreira fechou a sessão de abertura, que também contou com a presença da vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, Catarina Araújo, e com a subinspetora-geral da ASAR, Cristina Caldeira.
“É com enorme entusiasmo e imenso orgulho que vos recebemos neste nosso congresso”, declarou Liliana Ferreira, ao lembrar que o CNA já passou por cinco cidades, teve edições de carácter internacional e uma panóplia muito vasta de oradores. Nesta 25.ª edição, agradeceu particularmente a Nuno Borges – “é um privilégio aprender consigo” – à equipa da APN e aos colegas da Comissão Organizadora, que contempla elementos da sua direção e da anterior, encabeçada por Célia Craveiro, com quem divide a presidência deste órgão essencial para o evento.




