Vitaminas hidrossolúveis: impacto nas capacidades cognitivas 827

Com o aumento da longevidade tem sido verificado o aumento da prevalência de doenças neurológicas que afetam as capacidades cognitivas, para além do declínio normalmente associado ao envelhecimento.

Devido ao impacto que o surgimento deste tipo de doenças tem, tanto nos sistemas de saúde como na vida das famílias, tem surgido uma grande variedade de estudos que visam compreender quais os fatores envolvidos no seu desenvolvimento e agravamento. Dentro dos fatores ambientais, existem estudos que avaliam a relação destas patologias com a nutrição, nomeadamente com a ingestão de vitaminas.

As vitaminas são nutrientes orgânicos indispensáveis para o funcionamento adequado organismo humano. Tal como os minerais, as vitaminas pertencem à classe dos micronutrientes reguladores. São designados como micronutrientes pelo facto de as necessidades de ingestão diária serem da ordem dos mg/dia ou µg/dia. No entanto, a sua ingestão em quantidades insuficientes pode afetar a saúde e, em casos extremos, levar ao desenvolvimento de síndromes de deficiência específicos. Na maioria dos casos, estas situações podem ser revertidas pela ingestão de suplementos vitamínicos.

As vitaminas hidrossolúveis que incluem as vitaminas do grupo B, e a vitamina C, têm todas como função a regulação da atividade celular atuando como cofatores nas diversas vias metabólicas. Adicionalmente, a vitamina C tem uma função importante como agente redutor dos iões metálicos, como o ferro e o cobre e na proteção celular de danos provocados pelos radicais livres. Estas vitaminas são, assim fundamentais para a manutenção de funções vitais como crescimento, desenvolvimento, reparação, imunidade e produção de energia.

Estas vitaminas, não sendo sintetizadas pelo organismo, têm de ser obtidas através da alimentação. A niacina ou vitamina B3 é uma exceção uma vez que, pode ser produzida a partir do aminoácido triptofano, no entanto, a quantidade assim obtida pode não ser suficiente para a manutenção de níveis adequados, sobretudo em dietas com um consumo proteico reduzido.

Como não são armazenadas pelo organismo em quantidades significativas, as vitaminas hidrossolúveis, devem ser ingeridas regularmente em quantidades que assegurem a manutenção de níveis adequados. A otimização destes níveis poderá, assim, ter um impacto positivo no equilíbrio fisiológico.

A adesão a regimes alimentares equilibrados que garantam um aporte adequado e regular, não só de vitaminas, mas de todos os nutrientes é um fator determinante na prevenção de doenças não transmissíveis. Algumas destas doenças como, por exemplo, obesidade, diabetes, aterosclerose e hipertensão, são fatores de risco que podem contribuir para o declínio das capacidades cognitivas ou para o desenvolvimento de demência.

Um estudo publicado em 2021, evidencia que o cumprimento rigoroso das recomendações nutricionais preconizadas por instituições como a Organização Mundial de Saúde e o Concelho de Saúde dos Países Baixos ou a adesão a um regime alimentar equilibrado como à Dieta Mediterrânea, parece ter um efeito positivo na prevenção do declínio cognitivo relacionado com a idade.

Um aporte vitamínico adequado proveniente da dieta, poderá contribuir para manutenção das funções cognitivas. No entanto, a suplementação com vitaminas hidrossolúveis, parece ser, de acordo com diversos estudos, relevante na sua preservação.

A suplementação com as vitaminas B6, B12 e ácido fólico (B9), tem um papel importante na prevenção e no atraso da evolução do declínio cognitivo, provavelmente devido ao seu papel na redução dos níveis elevados de homocisteína sérica, considerado um fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer:

A suplementação com vitamina B1, assim como a sua combinação com B9 tem um impacto positivo no desempenho cognitivo, e a combinação da vitamina C com a vitamina E, parece reduzir o risco de demência vascular.

Com exceção da vitamina B12, que só pode ser obtida a partir alimentos de origem animal, todas as outras vitaminas hidrossolúveis estão amplamente distribuídas por todos os grupos alimentares. Assim, uma alimentação equilibrada, com um aporte vitamínico adequado, poderá contribuir para a prevenção do declínio cognitivo.

Cristina Flores
Departamento de Alimentação e Nutrição, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge

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