Insuficiência placentária associada a problemas de memória alguns anos após parto 50

Uma investigação relacionou o desequilíbrio angiogénico durante a gravidez, um marcador de insuficiência placentária e alteração vascular, com um maior risco de problemas de memória entre os três e os seis anos após o parto.

O trabalho liderado pelo Instituto de Investigação Sant Pau (IR Sant Pau) em Barcelona foi publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology e analisa pela primeira vez o impacto destas alterações vasculares a médio prazo após a gravidez, um período menos influenciado pelos fatores pós-parto e mais diretamente relacionado com o impacto do processo biológico subjacente.

A equipa de investigação avaliou 266 mulheres após as suas gravidezes, 30% das quais apresentaram pré-eclâmpsia, e analisou o seu estado angiogénico medido durante a gravidez através da relação sFlt-1/PlGF, uma ferramenta habitualmente utilizada na prática clínica.

Os resultados mostram que as mulheres com desequilíbrio angiogénico apresentam uma maior frequência de comprometimento da memória (30%, em comparação com 16,2%) e têm o dobro da probabilidade de apresentar dificuldades de memória.

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Em contraste, embora as mulheres que sofriam de pré-eclâmpsia apresentassem inicialmente mais problemas de memória, esta associação deixou de ser significativa quando foram tidos em conta outros fatores clínicos, como o índice de massa corporal e a hipertensão.

Segundo os autores, isto sugere que o fator-chave pode não ser a pré-eclâmpsia em si, mas sim a alteração vascular subjacente que a acompanha e que também pode ocorrer em mulheres sem sintomas clínicos desta complicação da gravidez.

“Não estamos a dizer que a pré-eclâmpsia não está associada ao défice cognitivo, mas sim que estamos a começar a identificar o mecanismo que o poderá explicar”, observou o investigador Pablo García-Manau, do IR Sant Pau, citado pela Lusa.

O desequilíbrio angiogénico pode provocar alterações persistentes na microcirculação e afetar regiões cerebrais particularmente sensíveis, como o hipocampo, que é fundamental nos processos de memória.

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“Estes resultados sugerem que o desenvolvimento vascular durante a gravidez pode refletir um processo mais amplo que também afeta o cérebro e poderá explicar os défices de memória observados anos mais tarde“, acrescentou García-Manau.

No entanto, o investigador apontou que ainda são necessários mais estudos com testes objetivos de memória e técnicas de neuroimagiologia para confirmar esta teoria.