No Dia Mundial do Ambiente (5 de junho), assinalado este ano sob o mote da ação climática – #NowForClimate –, o Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) alerta que a crise climática deixou de ser uma ameaça distante: é já um determinante diário da saúde das populações, também em Portugal.
O aumento das temperaturas, as ondas de calor, os incêndios, as secas, a subida do nível do mar, a poluição atmosférica e a maior frequência de fenómenos climáticos extremos têm impacto direto e indireto na saúde humana. Para o CPSA, esta realidade exige uma resposta integrada, capaz de aproximar as políticas de saúde das políticas ambientais.
“Durante demasiado tempo, as políticas ambientais ignoraram a saúde e as políticas de saúde ignoraram o ambiente. Hoje, sabemos que a saúde das pessoas depende da saúde do planeta. A emergência climática é também uma emergência de saúde pública”, afirma em comunicado Luís Campos, presidente do CPSA.
A evidência científica tem demonstrado que os fatores ambientais influenciam de forma significativa várias doenças, com destaque para as doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, as doenças respiratórias crónicas, as alergias e o cancro. A estes impactos somam-se ainda o aumento de doenças transmitidas por vetores, como a infeção pelo vírus do Nilo Ocidental ou a chikungunya, a degradação da qualidade da água e dos alimentos, os efeitos diretos das catástrofes climáticas e o impacto na saúde mental.
Em Portugal, os efeitos já são visíveis. O país tem registado ondas de calor mais frequentes e intensas, períodos de seca prolongada e incêndios de grande dimensão. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Saúde, as ondas de calor estiveram associadas a um excesso de 2300 mortes em 2025. A poluição atmosférica continua também a representar um importante risco para a saúde, estando associada a milhares de mortes em excesso todos os anos.
Para o CPSA, estes dados mostram que a resposta à crise climática deve ser encarada como uma prioridade de saúde pública. As determinantes ambientais estão já associadas a cerca de uma em cada quatro mortes a nível global, pelo que proteger o ambiente é também proteger a saúde das pessoas.
O setor da saúde tem igualmente um papel relevante nesta transformação. Em Portugal, estima-se que seja responsável por cerca de 5% das emissões de gases com efeito de estufa, além de ser uma fonte importante de produção de resíduos. Reduzir a pegada ambiental do setor, preparar os serviços de saúde para eventos extremos e promover práticas mais sustentáveis são, por isso, objetivos essenciais.
O CPSA defende a criação de uma estrutura de governação transversal, capaz de integrar saúde e ambiente nas diferentes áreas de decisão política. Para a organização, este é um desafio que ultrapassa ministérios, setores e ciclos políticos, exigindo respostas coordenadas, multissetoriais e sustentadas.
“O desafio que enfrentamos é complexo e nenhuma área da governação está isenta de responsabilidade. Precisamos de soluções integradas, porque os problemas ambientais, climáticos e de saúde estão profundamente ligados”, sublinha João Queiroz e Melo, vice-presidente do CPSA.
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Neste contexto, o CPSA apela também à rápida implementação do Plano de Ação em Saúde de Belém para a Adaptação do Setor da Saúde às Mudanças Climáticas, proposto pelo Brasil na COP30 e já assinado por mais de 60 países, incluindo Portugal.
Com mais de 114 organizações associadas, dos setores público, privado, académico, científico e associativo, o CPSA reforça a sua disponibilidade para contribuir para uma resposta nacional mais integrada. A organização sublinha que este é um compromisso coletivo e intergeracional.
“Estamos todos do mesmo lado quando falamos do futuro das próximas gerações. A proteção do ambiente não é uma causa distante: é uma condição essencial para proteger a saúde, a qualidade de vida e a segurança das pessoas”, conclui Luís Campos.




