Portugal ainda não sabe se grávidas e crianças devem comer atum e espadarte. Espanha desaconselha 0 560

A Agência Espanhola de Segurança e Nutrição Alimentar (AESAN) após analisar os últimos dados sobre o consumo de peixe com alto teor de mercúrio, pede agora que as grávidas e as crianças até aos 10 anos evitem a ingestão de espécies como atum e peixe espada.

A recomendação já existia em crianças até aos três anos, e agora é alargada, inclusive abrangendo as mulheres que planeiem engravidar ou amamentar.

Para além do atum e peixe espada, a lista ainda inclui peixes menos consumidos, como tubarão e lúcio.

A razão principal desta proibição é a presença de mercúrio existente nesta e noutras espécies, absorvida através das guelras e na sua forma mais tóxica (o metilmercúrio) e que fica acumulada nos tecidos gordos.

Segundo a AESAN, a ingestão dessas espécies em crianças entre 10 e 14 anos deve ser limitada a 120 gramas por mês, já que o mercúrio pode ser um tóxico neurológico nos estágios iniciais do desenvolvimento.

O alargamento da recomendação em Espanha tem a ver com novos dados científicos revelados, que indicam que as concentrações de mercúrio na população espanhola são mais elevadas do que as registadas noutros países europeus, e como tal são agora aconselhadas espécies com baixo conteúdo de mercúrio, como as anchovas, lagostim, polvo, salmão, lulas ou truta, entre outras.

De acordo com as recomendações da Comissão Europeia, que se basearam num estudo científico da ​Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFJA), cada Estado-membro pode definir as próprias “medidas para minimizar a exposição ao mercúrio”, sendo que o consumo de peixe pode ser uma das estratégias, “com especial relevância para os grupos de risco”, como grávidas e crianças. A EFJA recomenda que este risco seja avaliado caso a caso, por cada Estado-Membro.

Em Portugal ainda não há recomendações adaptadas à realidade portuguesa, mas a avaliação dos riscos está em “fase final”.

Um grupo de trabalho, composto pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), está a avaliar a exposição da população portuguesa a este contaminante, bem como a fazer uma avaliação de risco-benefício.

Contudo, tanto as autoridades espanholas como as portuguesas reforçam a importância de continuar a consumir peixe.

O mercúrio é um metal pesado que está presente no ambiente e pode ser encontrado em certos alimentos. No pescado, a sua concentração é variável, maior nas espécies que surgem no final da cadeia alimentar. Peixes predadores, maiores e que vivem mais tempo, apresentam uma maior concentração, peixes mais pequenos, “como a sardinha ou a cavala” quase não apresentam contaminação.

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