Pão pão, Queijo queijo 286

Mais um novo ano que começa e mais uma vez, repetem-se resoluções de ano novo – perder peso, fazer exercício, ser saudável… No fundo, viver mais feliz! Todas estas aspirações encontram eco na profissão do nutricionista*. De facto, serão poucas as profissões que ouvem tantas vezes como nós o célebre “Ano novo, Vida nova!”. Mas que resposta conseguimos dar àqueles que nos procuram em busca de uma vida mais saudável?

Basta recuar um pouco no tempo para perceber que até há uma ou duas décadas, a prática do nutricionista se baseava num conjunto de procedimentos bastante estandardizados – equações para cálculo das necessidades energéticas e fórmulas para o estabelecimento de planos alimentares, mais os conselhos do costume…. Convenhamos que a própria investigação na área da Nutrição era reduzida. Quem fosse ao nutricionista no 1º de janeiro de 2000, provavelmente ouviria as mesmas coisas ditas no 1º de janeiro dos 5 ou 10 anos anteriores!

Hoje, as coisas são claramente diferentes! Muita coisa mudou: o crescente número de profissionais (e de “não profissionais” também…) das Ciências da Nutrição; a consciência do público em geral para a importância da alimentação não apenas na doença, mas também na saúde; o interesse dos media; as redes sociais e a proliferação de abordagens à alimentação/saúde (mais ou menos válidas); os avanços na investigação científica e na tecnologia; etc. Todos estes fatores influenciam aquilo que significa hoje ir a um nutricionista e aquilo que se espera dele. Receber uma simples folha com indicações alimentares já não é suficiente para a maioria das pessoas. Hoje espera-se que o nutricionista use tecnologias inovadoras para fazer diagnósticos e que recomende dietas com combinações exclusivas de “super-alimentos”. Tudo devidamente “embrulhado” em técnicas de coaching, PNL e marketing pessoal…

E voltamos a esta primeira semana de 2016. Tendo nós próprios os nossos anseios para o ano que agora começa, como podemos ajudar realmente quem vê no nutricionista o caminho para uma vida mais saudável? Não vou (por agora) entrar na discussão sobre as características de abordagens nutricionais específicas – todas terão as suas vantagens e desvantagens, mais ou menos validade demonstrada. Talvez nos baste lembrar a importância que temos para aqueles que nos procuram. Talvez devêssemos perguntar-nos se acreditamos realmente no que fazemos e se estamos a dar o nosso melhor para entender e apoiar quem vem ter connosco. Talvez a nossa atitude seja a melhor forma de conseguir que, tanto para “nós” como para “eles”, 2016 seja um ano novo… e vida nova!

*Apenas para simplificar a escrita, uso o termo “nutricionista” para descrever nutricionistas e dietistas, de ambos os géneros.

Rodrigo Abreu,
Nutricionista

Envie este conteúdo a outra pessoa