“Imposto Coca-Cola” com avaliação positiva 503

Três anos volvidos sobre o inicio do “Imposto Coca-Cola”, os nutricionistas dão uma avaliação positiva a esta medida, que acreditam ser capaz de contrariar os índices de obesidade infantil.

Numa entrevista à TSF, a coordenadora do Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), Maria João Gregório, defende que o imposto sobre as bebidas açucaradas está a ter impacto nos hábitos alimentares da população, especialmente entre crianças e jovens.

Esta é “uma medida que tem mostrado, através dos estudos de avaliação que temos conduzido, que funciona e funcionou e tem funcionado na modulação do consumo alimentar dos portugueses, em particular junto dos mais jovens, crianças e adolescentes”, afirmou Maria João Gregório à TSF.

A coordenadora do PNPAS avança ainda que “se estas bebidas têm vindo a reduzir a quantidade de açúcar, o que é certo é que por este meio tem havido redução do consumo. (..) Poderemos dizer que esta medida estava a ser eficiente, tínhamos dados para isso e ela tem de voltar a ser avaliada. E é momento de voltarmos a avaliar os hábitos alimentares dos portugueses. Urge a realização de um novo inquérito alimentar nacional para desenharmos medidas para os hábitos alimentares dos portugueses neste momento em concreto.”

Sobre este tema a TSF contactou a Associação Portuguesa de Bebidas Refrescantes Não Alcoólicas (PROBEB), que representa os produtores. Estes confirmam que as bebidas têm cada vez menos açúcar e que há mesmo o risco do imposto se tornar obsoleto por isso.

“Entre 2017 e 2020 reduzimos mais de 10% [o teor de açúcar]. Foi uma aposta estratégica do setor no sentido de reformular produtos e incentivar opções com menos açúcar. Todos os anos há redução de açúcar nas bebidas, nalguns produtos, há transferências de consumo de umas categorias para as outras e tudo isso resulta num teor médio de açúcar mais reduzido. Acreditamos que um dia este imposto será obsoleto e não fará qualquer sentido”, explicou Francisco Mendonça, secretário-geral da PROBEB.

Outro dos ouvidos sobre este tema foi João Breda, nutricionista que trabalha na Organização Mundial de Saúde. O nutricionista destaca que esta pode ser mais uma das medidas a colocar Portugal como exemplo do combate à obesidade infantil.

“Portugal investiu bastante em políticas relacionadas com a obesidade infantil. Já foi um dos países com prevalências mais elevadas e hoje em dia está a meio da tabela europeia. Há uma progressão muito positiva e várias vezes a OMS tem vindo a descrever o sucesso de Portugal nesta matéria. Normalmente nem nos pronunciamos muito sobre os resultados de políticas adotadas pelos países, mas neste caso há um sucesso muito claro”, concluiu João Breda.

Envie este conteúdo a outra pessoa