Comer alimentos feitos com microalgas e insetos reduz emissões de C02 em cerca de 80% 273

Um estudo publicado na revista Nature Food, da Universidade de Helsínquia, analisou quais seriam os impactos de transformar a dieta europeia com base no uso de alimentos novos ou alimentos do futuro, e concluiu que substituir alimentos de origem animal na dieta dos europeus por alimentos inovadores – como carne cultivada em laboratório, insetos ou microalgas – pode reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, o uso de água e de terrenos agrícolas na ordem dos 80%, se compararmos com a dieta europeia atual.

Lembrar que na definição da União Europeia, um “alimento novo” é algo que não tenha sido consumido em grau significativo pelos seres humanos na UE antes de 15 de Maio de 1997, data em que entrou em vigor o primeiro regulamento relativo a novos alimentos. Estes podem ser alimentos inovadores, recentemente desenvolvidos, produzidos através de novas tecnologias e processos de produção. Já os alimentos do futuro, são aqueles em que há o potencial de aumentar tanto a produção como o consumo, devido às preocupações com as alterações climáticas.

“Podem ser insetos e [a microalga] espirulina; alguns alimentos podem sobrepor-se nas categorias dos alimentos novos e de futuro, como o mexilhão ou a Chlorella vulgaris [outra microalga], produzidos com novas tecnologias”, indica o estudo.

Outro dos alimentos considerados novos, é a carne cultivada em laboratório, produzida a partir de amostras de células recolhidas de animais vivos que, ao serem colocadas num meio de cultura apropriado que fornece nutrientes, crescem e se multiplicam formando o mesmo tecido do animal. Com este processo são precisos menos animais para produzir enormes quantidades de carne devido à proliferação celular, o que permite diminuir o impacto ambiental ao nível das áreas de pastoreio, água consumida e emissões de dióxido de carbono.

Para este estudo, os investigadores usaram estatísticas relativas ao consumo de alimentos na Europa, usando a Base de Dados Europeia do Consumo de Alimentos e selecionaram 124, dos quais analisaram o perfil nutricional, usando um modelo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Para cada alimento, foram medidos os impactos ao nível do uso da terra, uso da água e emissão de CO2, usando a base de dados francesa Agribalyse, que analisa o ciclo de vida dos produtos agrícolas. Foram selecionados oito alimentos novos ou de futuro que poderiam substituir os produtos de origem animal e para os quais existe uma análise de ciclo de vida, e sujeitos à mesma apreciação sobre os seus impactos ambientais.

A partir destes dados, foram criados três tipos de dietas: uma vegan, uma omnívora e outra baseada em alimentos novos ou de futuro – no caso destas últimas, fortificadas como micronutrientes essenciais como cálcio, vitamina B2, vitamina B12 e vitamina D. Foi criado um modelo otimizado das dietas para reduzir os impactos ambientais – retirando alguns grupos de alimentos, como por exemplo as bebidas alcoólicas e diferenciando a quantidade de outros, como cereais, ovos, frutas, consoante o tipo de impacto que se pretendia diminui.

A dieta omnívora, em relação à atual dieta europeia, com um grande peso de produtos animais, incluía ovos, produtos lácteos, peixe e marisco, mas conseguia mitigar 80% do uso dos terrenos agrícolas, 83% do uso da água e 82% do potencial de aquecimento global, considerando-se as emissões de CO2 evitadas.

A dieta vegan, em comparação com a atual dieta europeia, reduz 80% do uso da terra, 82% do uso da água e 84% do potencial de aquecimento global. Neste regime, os consumidores não comem alimentos novos ou de futuro, além de se absterem de produtos animais.

Os dados mostram que que os impactos são mais reduzidos com as dietas baseadas nos alimentos novos ou de futuro, como carne e leite cultivados em laboratório, proteínas derivadas de organismos unicelulares (algas, fungos e bactérias). O uso da terra tem uma redução de 87%, enquanto o consumo de água é limitado em 84% e o potencial de aquecimento global em 83%.

“Ao reduzir-se o consumo de carne, diminuem-se também em 60% dos impactos ambientais nas dietas otimizadas”, sublinha o estudo. “Os dados sugerem também que as dietas podem tornar-se mais eficientes em termos de uso de terrenos, água e emissões de CO2 se as pessoas concordassem em não consumir bebidas alcoólicas”.

Se as dietas atuais, com carne, forem ajustadas de forma a serem introduzidos alimentos novos e de futuro, “é possível reduzirem-se os impactos ambientais até níveis semelhantes aos da dieta vegan otimizada”, explica o documento.

Pode consultar o estudo aqui.

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