Quase metade das crianças de um ano em Portugal (46,9%) teve aleitamento materno exclusivo até aos seis meses em 2025, o valor mais elevado registado no país, revelam dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) hoje divulgados.
Os dados constam do Relatório Anual 2026 do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da DGS e mostram uma evolução positiva do aleitamento materno nos últimos anos.
Em declarações à agência Lusa, a diretora do PNPAS, Maria João Gregório, afirmou que o valor registado em 2025 é “o mais elevado registado até à data”, assinalando que, ao longo dos últimos anos, a percentagem rondava os 30%.
Para a responsável, a evolução observada nos últimos anos é consistente e constitui um resultado positivo, mas ressalva que a interpretação deste aumento deve ser feita com “alguma prudência”, uma vez que os dados podem corresponder “a uma melhoria efetiva da duração do aleitamento materno exclusivo”, mas também a uma melhoria no registo e na cobertura da informação recolhida nos cuidados de saúde primários.
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“A reorganização dos cuidados de saúde primários e o alargamento das unidades de saúde familiar modelo B também podem favorecer uma maior sistematização do acompanhamento e também do registo destes indicadores”, explicou, sublinhando que, com os dados disponíveis, não é possível separar estes dois efeitos.
Adicionalmente, este resultado poderá refletir alterações nas características demográficas da população portuguesa, bem como mudanças nas práticas de aleitamento materno, decorrentes de uma maior sensibilização das mulheres para a importância da amamentação, acrescenta o documento.
O relatório mostra, também, que o imposto especial de consumo sobre as bebidas açucaradas continua a incentivar a reformulação destas bebidas, no sentido da redução do teor de açúcar.
Entre 2017 e 2025, a proporção de bebidas abrangidas pelo escalão mais elevado do imposto, correspondente a um teor de açúcar igual ou superior a 8 gramas por 100 mililitros, diminuiu 45,1%, uma tendência que se manteve no último ano, verificando-se uma redução de 10,2% na proporção de bebidas com cinco ou mais gramas de açúcar por 100 mililitros.
Analisando estes dados, Maria João Gregório afirmou que a DGS tem procurado cada vez mais implementar medidas que possam facilitar escolhas alimentares mais saudáveis e contribuir para que o ambiente alimentar seja mais favorável a essas escolhas.
Questionada se esta medida devia abranger mais produtos açucarados, como bolachas ou bolos, afirmou que o contexto atual, nomeadamente o custo de vida, “não é muito favorável” à criação de novos impostos.
Acrescentou que o relatório monitoriza as medidas existentes e apresenta evidência que pode, eventualmente, no futuro, apoiar decisões.
O relatório identifica um conjunto de prioridades para 2026/2027, entre as quais a realização de um novo Inquérito Nacional Alimentar e de Atividade Física, que visa melhorar o conhecimento sobre os hábitos alimentares e o estado nutricional da população portuguesa.
“Esta é, de facto, uma área muito importante e uma medida que vai ser muito útil para termos mais informação de qualidade para tomarmos decisões”, afirmou, anunciando que o trabalho de campo deverá ter início já em outubro.
Outras prioridades passam por reforçar a promoção da alimentação saudável no acompanhamento da saúde reprodutiva, infantil e juvenil e desenvolver novas orientações para a oferta alimentar em espaços públicos prioritários.
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O programa pretende também melhorar a resposta dos cuidados de saúde às pessoas com obesidade, uma vez que, segundo a responsável, não é possível atuar apenas ao nível da prevenção, tendo em conta a dimensão da população que já vive com esta condição.
“Não podemos só atuar do lado da prevenção”, afirmou, defendendo a necessidade de assegurar uma resposta adequada às pessoas que já vivem com obesidade.




