“Valorizem o vosso trabalho: a investigação merece ser partilhada e reconhecida”

Alexandra Bento, coordenadora do Departamento de Alimentação e Nutrição do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e jurada da categoria, considera que o ‘Projeto do Ano – Investigação’ dos Prémios VIVER SAUDÁVEL 2026 distingue o mérito e reforça a divulgação do trabalho de excelência desenvolvido em Portugal.

Em antecipação do fecho de candidaturas, que acontece a 31 de julho, a nutricionista recorda que, ao longo do seu percurso profissional – com passagens pela presidência da Associação Portuguesa de Nutrição, pela chefia da Ordem dos Nutricionistas e pelo INSA, onde hoje se encontra – tem “acompanhado de perto a evolução da investigação em Nutrição e Alimentação em Portugal”. Por isso, está “convicta de que a investigação constitui um dos pilares fundamentais do desenvolvimento da nossa área científica e da afirmação da profissão“.

Para Alexandra Bento, “é através da produção de evidência robusta que conseguimos compreender melhor os determinantes da alimentação, responder aos desafios emergentes em saúde pública, desenvolver intervenções mais eficazes e fundamentar políticas e recomendações que contribuam para melhorar a saúde e a qualidade de vida das populações”.

No caso da profissão de nutricionista, a investigação, garante, “é igualmente essencial”, uma vez que “uma prática baseada na evidência científica é a garantia de que os nutricionistas continuam a afirmar-se como profissionais de saúde diferenciados e capazes de responder, com rigor científico, às necessidades da sociedade”. Além disso, “promove a inovação, reforça a credibilidade da profissão e aproxima a academia, os serviços de saúde, as instituições e a comunidade“.

“A modulação da oferta alimentar representa uma estratégia relevante na promoção da saúde pública”

“Num contexto em que os desafios relacionados com a nutrição, a sustentabilidade alimentar e as desigualdades em saúde são cada vez mais complexos, investir em investigação é investir em conhecimento, em melhores decisões e, em última análise, em mais saúde para todos“, continua a jurada.

Inspirar os colegas 

E que projetos espera Alexandra Bento avaliar? Sobretudo, projetos “cientificamente sólidos, inovadores e relevantes, mas sobretudo projetos que demonstrem capacidade de gerar impacto” – seja no conhecimento, na prática profissional, nas políticas públicas e, acima de tudo, na saúde e no bem-estar das pessoas.

A especialista antecipa a avaliação de trabalhos desenvolvidos em diferentes áreas, “desde a nutrição clínica à saúde pública, da sustentabilidade alimentar à alimentação coletiva, da inovação tecnológica à literacia alimentar, refletindo a diversidade e a riqueza da nossa profissão”. Em particular, a jurada valoriza projetos “que promovam a interdisciplinaridade, a transferência do conhecimento e a aplicação prática dos resultados“.

Dirigindo-se aos colegas que ainda possam estar reticentes no envio da sua candidatura, Alexandra Bento deixa uma mensagem: “valorizem e deem visibilidade ao vosso trabalho. A investigação merece ser partilhada e reconhecida. Nem sempre temos consciência do impacto que os nossos projetos podem ter na comunidade científica, na profissão e na sociedade. Candidatar-se é também uma forma de inspirar outros colegas, estimular a inovação e contribuir para o fortalecimento da Nutrição enquanto ciência e profissão”, assegura.

Ainda se lembra? Em 2015, nasceram a Acta Portuguesa de Nutrição e a VIVER SAUDÁVEL

Perante este cenário, torna-se claro que “precisamos de uma comunidade científica cada vez mais forte, mais colaborativa e mais ambiciosa”. E isso constrói-se, “também, através do reconhecimento do mérito e da divulgação do trabalho de excelência que é realizado em Portugal“. No fim, fica a certeza de que “a investigação só cumpre verdadeiramente a sua missão quando o conhecimento produzido se transforma em melhores práticas, melhores políticas e melhores resultados em saúde para as pessoas“.

Candidaturas abertas 

De acordo com o Regulamento Oficial, podem candidatar-se projetos originais resultantes de trabalhos de investigação em curso ou concluídos em 2026. Não serão consideradas candidaturas que se limitem a intenções de realização, que não apresentem resultados, ou que correspondam a revisões sistemáticas, meta-análises ou revisões narrativas. Da totalidade das candidaturas recebidas e validadas, serão apresentadas ao júri, constituído para o efeito, uma seleção de 10 projetos, para que selecionem os 3 finalistas.

Nesta edição, o júri é ainda composto pela bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Liliana Sousa, pela secretária-geral da Associação Portuguesa de Nutrição, Helena Real, pela diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Maria João Gregório, pelo secretário da Direção da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica, Lino Mendes, e ainda pelo diretor-geral da Hollyfar (empresa detentora da marca VIVER SAUDÁVEL), Paulo Silva.

A categoria de ‘Projeto do Ano – Investigação’  foi criada em 2023. Já venceram os seguintes projetos: Football and Nutrition for Health (chefiado por Micaela Morgado, da Portugal Football School), MET_BCCV (dirigido por Cíntia Ferreira Pêgo, da Universidade Lusófona) e MAESTRO (da responsabilidade de Shámila Ismael e Cláudia Marques, da Nova Medical School e Academia CUF).

Já se pode inscrever na VS – Nutrition Summit & Exhibition

Os Prémios VIVER SAUDÁVEL são uma iniciativa anual organizada pela Revista VIVER SAUDÁVEL, que visa distinguir a excelência e premiar o que melhor se faz na Nutrição em Portugal, e os Nutricionistas que, pelo seu trabalho diário em prol da melhoria da Saúde dos portugueses, nas mais diversas áreas, elevam as Ciências da Nutrição.