Lino Mendes, presidente do Conselho Jurisdicional da Ordem dos Nutricionistas, secretário da Direção da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica e jurado da categoria, considera que o ‘Projeto do Ano – Nutrição Clínica’ dos Prémios VIVER SAUDÁVEL 2026 permite rever, discutir e valorizar o trabalho dos colegas.
Em antecipação do fecho de candidaturas, que acontece a 31 de julho, o nutricionista destaca a nutrição como “uma das ciências mais relevantes num contexto global”, caracterizada por uma notória “evolução e spread do conhecimento”. “Antecipam-se tempos de grande diferenciação em determinadas áreas em que os alvos serão cada vez mais dirigidos”, acredita, dando como exemplo a nutrição de precisão, ainda que “o nutricionista do presente e do futuro próximo” seja aquele “que consegue ter um overview do indivíduo, da nutrição e da saúde”.
No que à nutrição clínica diz respeito, Lino Mendes recorda os tempos de faculdade, onde a identificou “como uma área nobre da nutrição que é capaz de resolver problemas imediatos“, razão pela qual esta foi sempre a sua “área de eleição”, onde atua em articulação com outras, nomeadamente de especialidade.
“É gratificante integrar uma equipa multidisciplinar e intervir, por exemplo num doente crítico, desde a dieta zero à dieta geral, e mais tarde seguir o mesmo doente em ambulatório. O doente e a comunidade reconhecem o trabalho do nutricionista e é muito gratificante para este os resultados alcançados“, continua, para acrescentar: “A saúde é considerada como um dos maiores bens, e ainda mais valorizada na sua ausência – na doença”.
Procura por especialistas cresce
Para Lino Mendes, a valorização, por parte da sociedade, da classe, é especialmente visível nesta área, como mostra “a maior ligação dos nutricionistas à área hospitalar pública e privada e o facto de ser a especialidade com maior número de colegas”. Na verdade, aponta, são cada vez mais os que procuram especialistas, “algo que mimetiza o que já sucede noutros países em que o mercado contrata o dietitian especialista“.
Nutrição Comunitária: “Uma única medida pode beneficiar milhões de pessoas”
Mas se, por um lado, a comunidade valoriza a diferenciação – “a organização por grupos e sub-grupos como os cuidados intensivos, cardiologia, pediatria, nefrologia, entre outras,” já é uma realidade em algumas geografias – a “utilização abusiva da expressão ‘nutricionista especialista em nutrição clínica’, ou de ‘nutricionista clínico’, induz os clientes a pensarem que o nutricionista tem uma especialidade reconhecida pela Ordem, quando, de facto, por vezes, assim não é“.
“Imaginem como qualquer um de nós se sentiria ao consultar um profissional que se assume como especialista, mas que, afinal, não é?”, questiona o presidente do Conselho Jurisdicional da Ordem dos Nutricionistas, ao deixar claro que os colegas devem ter um “cuidado enorme na forma como comunicam e publicitam os seus serviços, não induzindo os utentes em erro“.
Prémios VS? “Concorram!”
“Os Colégios de Especialidade têm dado um contributo muito relevante na valorização das especialidades, mas é da mais elementar justiça referir o destaque dado pelos Prémios VIVER SAUDÁVEL“, garante o especialista em Nutrição Clínica. Enquanto jurado com alguns anos de experiência, antecipa a “expectativa de quantos colegas e equipas vão concorrer” e deseja que o seu trabalho, bem como o dos seus colegas de painel, “possa ser muito difícil, pelo número de trabalhos submetidos e pela excelência das candidaturas“.
Numa área “tão ampla”, todos são “bem-vindos e só têm de evidenciar a pertinência da nutrição clínica“. Trabalhos “bem enquadrados, com objetivos bem claros, metodologicamente irrepreensíveis e com resultados claros, e se possível, validados pelos pares, dão sempre mais confiança ao Júri”, diz ainda.
“Valorizem o vosso trabalho: a investigação merece ser partilhada e reconhecida”
“Se me é permitida uma sugestão muito objetiva, concorram“, apela Lino Mendes a todos os que ainda estejam indecisos. E vai mais longe: “só quem concorre pode ser finalista e, quiçá, ganhar“.
Independentemente da concorrência – um “aspeto que não dominamos”, pelo que “o melhor é concorrer mesmo” -, os Prémios VIVER SAUDÁVEL são “uma forma de rever o nosso trabalho, de o discutir com colegas e com outros profissionais e de nos valorizarmos“. “O que têm a perder? Nada! Participem”, conclui.
Candidaturas abertas
De acordo com o Regulamento Oficial, podem candidatar-se projetos originais em curso ou concluídos em 2026. Da totalidade das candidaturas recebidas e validadas, serão apresentadas ao júri, constituído para o efeito, uma seleção de 10 projetos, para que selecionem os 3 finalistas.
Nesta edição, o júri é ainda composto pela bastonária da Ordem dos Nutricionistas (ON), Liliana Sousa, pela presidente do Conselho de Especialidade de Nutrição Clínica da ON, Graça Ferro, pela diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Maria João Gregório, pela secretária-geral da Associação Portuguesa de Nutrição, Helena Real, e ainda pelo diretor-geral da Hollyfar (empresa detentora da marca VIVER SAUDÁVEL), Paulo Silva.
“A modulação da oferta alimentar representa uma estratégia relevante na promoção da saúde pública”
A categoria de ‘Projeto do Ano – Nutrição Clínica’ foi criada em 2022. Já venceram os seguintes projetos: Turning Trial (NOVA Medical School), MuscleNut Study (Unidade de Urgência Médica do Hospital de S. José, Lisboa), ARGI-UP (Unidade Local de Saúde do Algarve) e CARDIOLENTIL (Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa).
Os Prémios VIVER SAUDÁVEL são uma iniciativa anual organizada pela Revista VIVER SAUDÁVEL, que visa distinguir a excelência e premiar o que melhor se faz na Nutrição em Portugal, e os Nutricionistas que, pelo seu trabalho diário em prol da melhoria da Saúde dos portugueses, nas mais diversas áreas, elevam as Ciências da Nutrição.




