Moçambique enfrenta dificuldades para assegurar a fortificação obrigatória da farinha de milho e do sal produzidos por pequenos operadores, apesar de registar níveis de cumprimento entre 60% e 70% na fortificação alimentar, admitiu hoje o Governo.
“Temos um desafio, porque nós temos pequenas e médias empresas. São estas que estamos a dizer que não estão [a fortificar os alimentos]. Em termos de grande escala, estão a fortificar, mas, na pequena escala, não temos a fortificação nas pequenas moageiras e é preciso trabalharmos”, afirmou a coordenadora nacional do Programa de Fortificação de Alimentos (Confam), Eduarda Mungoi.
A responsável falava em Maputo, à margem da abertura do workshop regional da África Austral sobre fortificação de alimentos em grande escala, promovido pelo Ministério da Economia.
Ao admitir que o principal problema da fortificação alimentar se concentra atualmente nos produtores de pequena escala, Mungoi explicou que o Governo está a trabalhar para assegurar o cumprimento deste processo e evitar a disponibilização de produtos fora dos padrões exigidos.
A responsável disse que o país tem vindo a cumprir, em larga medida, a fortificação de alimentos nas grandes indústrias, apontando, em particular, para a farinha de trigo e de milho, o óleo alimentar e o açúcar.
“Estamos, de certa maneira, bem e temos o outro produto, que é o óleo alimentar e o açúcar, cujos resultados mostram níveis satisfatórios, mas ainda temos desafios”, disse Mungoi, citada pela Lusa.
“Estamos neste momento em níveis de 60% a 70% de cumprimento da fortificação alimentar, mas continuamos ainda com desafios”, acrescentou, apontando dificuldades na manutenção destes indicadores e no cumprimento dos níveis exigidos para cada produto.
A fortificação alimentar consiste na adição de vitaminas e minerais essenciais aos alimentos durante o processo de produção, sendo apontada pelas autoridades de saúde como uma das principais estratégias para prevenir deficiências de micronutrientes e combater a desnutrição.
Moçambique lançou, em 2013, o Programa Nacional de Fortificação de Alimentos, que consiste na adição de pequenas quantidades de vitaminas e minerais aos alimentos durante o processamento industrial. Essa fortificação, em Moçambique, é obrigatória para os produtores de farinha de milho e de trigo, açúcar, óleo alimentar e sal, sendo voluntária para o arroz.
Presente no evento, a secretária de Estado da Indústria, Custódia Paúnde, disse que Moçambique tem aumentado o volume de alimentos fortificados produzidos anualmente, em concreto para produtos como farinha de milho, farinha de trigo, açúcar, óleo alimentar e sal iodado.
“Demonstra claramente a capacidade que a indústria nacional tem para produzir e distribuir alimentos de qualidade, caminhando gradualmente para uma maior substituição das importações dos cinco veículos de fortificação obrigatória, garantindo maior controlo da qualidade dos alimentos consumidos no país”, disse.
A governante defendeu que o país precisa de avançar para o uso de sistemas digitais que permitam maior articulação com organismos nacionais e regionais no âmbito da fiscalização da fortificação alimentar, reforçando a sua presença nos esforços globais de prevenção e combate à desnutrição crónica.
“É necessário que o Governo, as organizações da sociedade civil, o setor privado, os parceiros de cooperação e a comunidade em geral trabalhem mais e partilhem conhecimentos, informações e recursos para alcançarmos resultados mais expressivos no combate à deficiência de micronutrientes no país”, disse Custódia Paúnde.




