Uma em cada 20 crianças passou fome em Portugal: ON alerta para a urgência de medidas que garantam acesso à alimentação

Em 2024, uma em cada 20 crianças pobres em Portugal passou fome e não comeu por falta de recursos financeiros do agregado familiar, enquanto 15% não conseguiram consumir alimentos saudáveis e nutritivos. Estes resultados, divulgados no relatório ‘Portugal, Balanço Social 2025‘, da Nova School of Business & Economics, vêm dar força à posição que a Ordem dos Nutricionistas (ON) tem vindo a assumir na defesa de medidas que promovam o acesso a uma alimentação adequada.

Para a bastonária da ON, Liliana Sousa, os dados agora conhecidos confirmam uma realidade que a entidade tem vindo a acompanhar com preocupação: “Estamos perante um cenário alarmante, mas real, em que o problema não se centra apenas na falta de informação e literacia alimentar – num contexto em que os hábitos alimentares inadequados são responsáveis por 8% da mortalidade no nosso país -, mas sim na falta de disponibilidade financeira para comprar os alimentos recomendados”.

Ordem dos Nutricionistas insiste em IVA zero para alimentos da dieta mediterrânica

Em comunicado, Liliana Sousa sublinha ainda que a proposta de aplicação de IVA zero aos alimentos que integram o padrão alimentar da Dieta Mediterrânica foi já apresentada ao Governo e aos principais grupos parlamentares. “Há já mais de um ano que temos vindo a alertar, de forma consciente, para as repercussões dos aumentos verificados, agravados pelo aumento de combustíveis decorrentes da situação geopolítica e pelas repercussões das tempestades que assolaram o país no início de 2026, sobre o estado nutricional e, consequentemente, da saúde da população”, refere.

Neste sentido, continua, “o acesso à alimentação está a tornar-se, de forma progressiva, cada vez mais desigual. Um direito básico e fundamental começa a tornar-se um privilégio, acessível apenas a alguns”.

Neste contexto, a entidade volta a alertar para a necessidade de assegurar um financiamento adequado das refeições escolares, salvaguardando a qualidade nutricional das refeições servidas e o acesso equitativo por parte de todas as crianças e famílias mais vulneráveis.

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“Para muitas crianças, a refeição escolar representa atualmente a principal, e por vezes a única, refeição quente do dia – uma realidade verdadeiramente alarmante. É, por isso, fundamental garantir refeições nutricionalmente adequadas, seguras e de qualidade, assegurando simultaneamente os recursos necessários para a sua concretização”, conclui a bastonária.

A Ordem dos Nutricionistas considera que os resultados agora divulgados devem contribuir para reforçar políticas públicas capazes de reduzir desigualdades sociais e garantir que “todas as famílias têm acesso a uma alimentação adequada, condição essencial para o seu crescimento, desenvolvimento e bem-estar“.