A nutrição parentérica domiciliária e o alargamento do rastreio nutricional aos cuidados de saúde primários e ao ambulatório são as prioridades da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentética (APNEP). No seu XXVIII Congresso Anual, que hoje termina, juntaram-se cerca de 1600 participantes inscritos.
“Quando falava com deputados sobre malnutrição, perguntavam-me se era em África”, recorda Aníbal Marinho, acerca dos tempos em que assumiu a direção da APNEP, em 2007. Hoje, assegura, a realidade é muito diferente: não só o poder político está mais consciente e informado acerca dos desafios internos que enfrenta, como o consumo de suplementos alimentares e a preocupação com a nutrição nos hospitais “mudou radicalmente”.
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Ainda assim, persistem lutas sem fim à vista, como a aposta na nutrição parentérica domiciliária: “aquele entusiasmo inicial que tivemos está-se a perder“. Para a APNEP, esta é uma prioridade que merece atenção, nomeadamente porque, ao contrário de outros países europeus, Portugal não contar com um centro de referência para esta prática. “Temos doentes neoplásicos com uma esperança de vida de seis meses que não estão adequadamente nutridos porque não temos equipas preparadas”, explica.
Por outro lado, existe uma “grande lacuna” na falta de rastreios nutricionais em medicina geral e familiar e no ambulatório: “é aí que temos de tratar os doentes antes de eles chegarem a uma fase muito avançada – a malnutrição – que temos mais dificuldade em tratar”.
Números impressionam
A última edição do Congresso APNEP, que decorre entre segunda-feira (18) e hoje (19) conta com perto de 1600 inscritos, um número que ultrapassa consideravelmente o habitual (entre 1200 e 1300). A participação certificada com um diploma, da ESPEN (European Society for Clinical Nutrition and Metabolism), também ajuda a explicar estes números, considera Aníbal Marinho, em declarações à VIVER SAUDÁVEL.
No entanto, acredita sobretudo que este é um sinal da maior importância da nutrição entérica e parentérica para os profissionais de saúde, investigadores e especialistas. Na Fundação António Cupertino de Miranda, no Porto, e sob o tema “Inovar em Nutrição Clínica“, a APNEP juntou cerca de 140 palestrantes, distribuídos por cinco salas, num ambiente de networking e partilha científica que impulsionam a nutrição clínica.




