A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai convocar hoje o seu comité de emergência para avaliar o surto de ébola na República Democrática do Congo, que resultou em 131 mortes e 513 casos suspeitos. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) reforça deteção de casos importados e considera que o risco é muito baixo na Europa.
O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) disse hoje estar “profundamente preocupado com a escala e a velocidade” da epidemia na República Democrática do Congo, cita a Lusa.
“Vamos convocar hoje o comité de emergência para nos aconselhar sobre recomendações temporárias”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, no segundo dia da assembleia anual dos Estados-membros da OMS.
OMS declara emergência de saúde pública mundial devido a surto de ébola
No domingo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto como uma emergência de saúde pública de âmbito internacional (PHEIC, na sigla inglês), após terem sido registados mais de 300 casos suspeitos e 118 mortes nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, na República Democrática do Congo (RDC), além de dois outros óbitos no vizinho Uganda.
O vírus ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas. Segundo a OMS, o vírus apresenta uma taxa de mortalidade entre 25% e 90%.
DGS reforça deteção de casos
“Perante declarações de PHEIC pela OMS, Portugal, como a maioria dos países não diretamente afetados, reforça a deteção precoce de casos potencialmente importados”, adiantou a DGS em resposta à agência Lusa.
Segundo a autoridade de saúde, são atualizadas as medidas de preparação e resposta já existentes para potenciais casos importados, com base nas orientações DGS para o Ébola e em alinhamento com as recomendações do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), relativamente a viajantes e regressados dos países afetados.
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Além disso, é reforçada a capacidade laboratorial para detetar casos de possíveis infeções, referiu ainda a DGS.
Adiantou também que os casos foram reportados em regiões a norte e leste da RDC – em Rwampara, Mongbwalu e Bunia -, cuja fronteira mais próxima é a do Uganda, a milhares de quilómetros de Angola, país que regista uma grande mobilidade de passageiros para Portugal.
“Para as pessoas que vivem na UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu], a probabilidade de infeção é considerada muito baixa, dada a muito baixa probabilidade de importação e transmissão secundária na Europa”, realçou a DGS.
A DGS mantém em vigor uma orientação sobre o Ébola de 2019, altura em que também foi registado um surto da doença na República Democrática do Congo.
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Depois de a OMS ter declarado o surto de ébola uma emergência de saúde pública de âmbito internacional, vários países africanos reforçaram os controlos sanitários e fecharam as suas fronteiras, como é o caso do Ruanda.
A República Democrática do Congo anunciou que vai abrir três centros de tratamento para o vírus ébola na província oriental de Ituri, na sequência do surto com uma variante para a qual não existem terapêuticas nem vacinas aprovadas, enquanto a OMS enviou especialistas e material para ajudar a combater a propagação da doença.




