Quase uma em cada três famílias em Cabo Verde sem acesso financeiro a alimentos 625

Praticamente um terço das famílias cabo-verdianas não tem acesso financeiro aos alimentos, 10% da população sofre de desnutrição crónica e cerca de 7,4 % das crianças com menos de 5 anos de obesidade, disse esta quarta-feira fonte oficial.

Os dados foram avançados na cidade da Praia, pelo ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, à margem da 11.ª reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, afirmando que desde 2018 o país tem realizado o inquérito nacional sobre a vulnerabilidade alimentar e nutricional das famílias, de modo a ter elementos que permitem ajustar medidas políticas relacionadas com a segurança neste setor.

“Estes dados demonstram que, por exemplo, 32% das nossas famílias ainda não tem este acesso financeiro suficiente, 10% da nossa população sofre da desnutrição crónica. Mas também mostra que nas crianças menores de 5 anos, nós temos a rondar os 7,4% de obesidade, o que não é bom e que, portanto, é um indicador que mostra que nós temos que atacar a temática da obesidade”, apontou o ministro, citado pela Lusa.

O governante considerou que, havendo desnutrição crónica e ao mesmo tempo obesidade, devem ser combatidos.

“Mas também mostra, por exemplo, que quatro em cada 10 mulheres já está a sofrer também de obesidade e excesso de peso em Cabo Verde. E isto é um indicador que mostra que nós vamos ter que melhorar ou orientar as nossas políticas públicas no sentido de resolver estes assuntos”, acrescentou.

O ministro disse que os maiores desafios para garantir a segurança alimentar e nutricional no país têm a ver com a melhoria da produção e do rendimento das famílias para poderem ter o acesso financeiro aos alimentos, e com a educação, para melhorarem “consideravelmente” a dieta.

“Há aqui aspetos que têm que ver com a nutrição e que depende essencialmente do conhecimento e das boas práticas. Há a necessidade também da articulação das políticas públicas a vários níveis, a melhoria das cadeias e a organização das cadeias de produção e distribuição de alimentos, os setores produtivos e de alimentos, estou a falar essencialmente da agricultura e da pesca, que contribuem enormemente para a segurança alimentar”, referiu.

Gilberto Silva destacou também a temática da conservação e da transformação dos alimentos, considerando que assegura o emprego. E para que haja cada vez menos desperdícios, sugeriu uma estratégia política, que deverá ser aprovada até final do ano pelo Governo.

“Se nós não harmonizarmos a nossa intervenção, também não chegaremos lá”, avisou o governante, sublinhando a importância dessas reuniões, para uma reflexão conjunta sobre melhorias no setor.

“Porque nós estamos a falar de uma temática que é multinível e que é ao mesmo tempo transversal e que para atingirmos os resultados que são complexos, temos todos que fazer, cada um no seu lugar, o seu trabalho, mas de forma harmonizada com o que o outro faz”, concluiu.

A representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em Cabo verde, Ana Touza, manifestou o apoio da instituição e um compromisso com o país para alcançar a segurança alimentar, a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.

“Temos trabalhado com o Governo no sentido de implementar programas e projetos que proporcionem direta ou indiretamente segurança alimentar e nutricional ao cabo-verdianos e é de assinalar programas, legislação, órgãos e instrumentos, como são casos da lei do direito humano à alimentação adequada à Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional”, afirmou.

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