Prémios VS 2023: Os projetos finalistas em Alimentação Coletiva e Restauração 1288

A 3.ª edição dos Prémios VIVER SAUDÁVEL (VS) aproxima-se a passos largos. Até à grande noite da Nutrição, a 23 de novembro, conheça os finalistas na categoria de Projeto do Ano – Alimentação Coletiva e Restauração.

Competem pelo grande prémio os projetos RODA – Reduzir O Desperdício Alimentar e R23. Um deles vai sagrar-se como o grande vencedor na gala que acontece no Salão Preto e Prata do Casino Estoril.

RODA – Reduzir O Desperdício Alimentar

Este projeto “nasceu da necessidade em combater o desperdício alimentar em meio escolar, em resposta à inexistência de abordagens desenvolvidas, implementadas e descritas na região”, explicam em entrevista Duarte Vidinha e Cláudia Nunes, ao apontarem duas particularidades fundamentais: “a equipa e a sua metodologia”.

Com o contributo de profissionais de Saúde, da educação e do ensino superior (alunos), o projeto apresenta uma “fusão dos conhecimentos de colegas mais novos com a dos colegas mais experientes” nos estabelecimentos de ensino básico, em Faro. No que concerte à metodologia aplicada, os responsáveis apontam “a evidência e rigor técnico-científico, criatividade, dinamismo, replicabilidade e, acima de tudo, promoção de uma efetiva aquisição de hábitos e comportamentos mais saudáveis e sustentáveis nas crianças, suas escolas e famílias”.

Este projeto “nasceu da comunidade, para a comunidade”. Para os dois Nutricionistas, “ao reduzir o desperdício alimentar, aumentar a literacia em alimentação e promover a aquisição de comportamentos mais saudáveis e sustentáveis, estamos a criar um ciclo positivo capaz de promover resultados em Saúde e ambiente na comunidade”. Além disso, defendem o projeto como “um dos poucos estudos experimentais composto por dois braços (escolas intervenção e escolas controlo)”. A abordagem, asseguram, “permitiu avaliar a efetividade da intervenção desenvolvida e implementada entre escolas com e sem intervenção”.

Cláudia Nunes e Duarte Vidinha

Por outro lado, a sua intervenção foi centrada “não só nos alunos, como também nos funcionários responsáveis pela preparação e confeção das refeições escolares”. No primeiro caso, foram desenvolvidos e instituídos “materiais teórico-práticos em contexto de sala de aula e, posteriormente em casa, como uma estratégia para aumentar e reforçar as aprendizagens transmitidas”.

No segundo caso, foi dada “formação, permitindo uma melhoria do serviço de refeições do estabelecimento e constituindo uma oportunidade para que os alunos pudessem, além de adquirir conhecimentos teóricos dentro da sala de aula, mudar as suas atitudes e alterar os seus hábitos alimentares no refeitório escolar”.

R23

“A transferência de competências para os órgãos municipais no domínio da educação veio colocar em evidência o problema da baixa adesão aos refeitórios escolares nas escolas do 2.º e 3.º ciclos do Município de Benavente”, começa por explicar Rute Espanhol. No ano letivo de 2021/2022, diz em entrevista, a adesão aos refeitórios era inferior a 20%, pelo que neste caso “o potencial que as refeições escolares têm na melhoria do estado nutricional dos alunos é desperdiçado”.

Com o objetivo de alterar este paradigma, o projeto R23 promoveu uma intervenção “cocriada com os alunos, nas ementas, serviço de refeições e ambiente do refeitório”, para assim aumentarem “a adesão e a satisfação, o que potencialmente resultará numa diminuição da prevalência de excesso de peso e obesidade e na melhoria do comportamento alimentar”. Além disso, foi estudada “a associação entre a adesão dos alunos às refeições escolares e dados sociodemográficos, estatuto socioeconómico, adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico, Índice de Massa Corporal e razão perímetro da cintura/estatura”.

“Tanto quanto sabemos, este foi o primeiro estudo quase-experimental em Portugal, com a implementação de uma intervenção cocriada com os alunos, com o objetivo de aumentar a adesão aos refeitórios escolares do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e a satisfação com as refeições escolares e consequentemente contribuir para hábitos alimentares e peso corporal mais saudáveis”, refere.

Catarina Jacinto Soares e Rute Espanhol

O que é necessário mudar na ementa, sala de refeições e serviço para que os alunos considerem o refeitório escolar uma opção para o seu almoço? Para responder a esta questão, “foi necessário mobilizar a comunidade escolar, alunos, pais, funcionários e professores” e, para isso, foram integradas as “estruturas eleitas que existem nas escolas (delegados de turmas, associações de alunos e pais, representantes dos encarregados de educação de cada turma e conselho da escola)”.

Depois de vários workshops, sessões de educação e reuniões com todos os elementos da comunidade escolar, foram implementadas as seguintes propostas: criação do buffet de saladas, esplanada, fonte de água (água filtrada), ementa com três opções (Mediterrânica, Veggie e CoMtradição), renovação e decoração da sala de refeições, música ambiente e quiosque da fruta.

“Os Prémios VS 2023 são o evento certo”

“Na área da Nutrição, nos Cuidados de Saúde Primários, existe a habitual ideia de que os Nutricionistas estão quase exclusivamente afetos à área da Nutrição Clínica”. E essa premissa, explicam Duarte Vidinha e Cláudia Nunes, “nem sempre é verdadeira”. O número de Nutricionistas no Serviço Nacional de Saúde é “diminuto face ao desejável”, pelo que esta foi uma das razões para a candidatura aos Prémios, “o evento certo”.

Num período com “muitos desafios diários, seja pela empregabilidade, condições de trabalho ou tempo disponível para exercer determinadas áreas de atuação”, a nomeação para os Prémios é “um reforço positivo” de que estão “a dar passos da direção certa, na área da alimentação e sustentabilidade em meio escolar”. Os finalistas admitem que a palavra de ordem é “satisfação”, mas asseguram não ter expectativas para a gala, uma vez que a nomeação é em si uma “conquista”.

Já Rute Espanhol refere que os “objetivos propostos no início do ano letivo 2022/2023 foram alcançados”, mas que “o projeto não terminou”. O seu caminho continua e, por isso mesmo, o reconhecimento do projeto por parte do júri dos Prémios VS “seria bastante importante não só para a promoção do R23 junto da comunidade escolar no próximo ano, mas também um importante reconhecimento do papel dos Nutricionistas municipais”.

Para a Nutricionista, a nomeação “constitui um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido”, com um hipotético reconhecimento a deixar “toda a equipa orgulhosa e motivada para continuar este trabalho”, conclui, para perspetivar “uma noite de convívio entre colegas e de partilha de experiências”.

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