ON defende contratação de nutricionistas para lares de idosos 304

A Ordem dos Nutricionistas (ON) divulgou no seu portal, uma entrevista que a bastonária Alexandra Bento deu ao “Expresso Online”, onde defende a contratação de nutricionistas para os lares de idosos.

Alexandra Bento indica que é preciso agir urgentemente na prevenção alimentar para evitar que se repitam situações de desnutrição e desidratação de idosos, como aconteceu no lar de Reguengos de Monsaraz.

Para a bastonária “é essencial” que as instituições sociais e solidárias de idosos passem a integrar obrigatoriamente nutricionistas “num número não inferior a um nutricionista a tempo inteiro por cada 40 utentes”.

Aliás, para a ON, a relação entre o número de utentes e o número de nutricionistas deve ter ainda em conta a gravidade das patologias dos residentes em instituições seniores, de forma a garantir “a melhor adequabilidade alimentar e nutricional a cada idoso”.

Segundo Alexandra Bento, há mais de seis mil instituições de apoio aos idosos no país, mas nos 5138 de lares sob a alçada do Instituto da Segurança Social (ISS) apenas 173 contam com a presença de nutricionista.

Para a bastonária, a pandemia acabou por mostrar uma realidade que “já era conhecida” e que levou a Ordem a levantar a questão da falta de nutricionistas em lares junto no Parlamento há dois anos, tendo a Assembleia da República recomendado ao Governo (Resolução n.º 253 de 9 de agosto) a presença “obrigatória” de nutricionistas nas instituições do sector social e solidário.

“A recomendação surgiu depois de a Ordem ter apresentado um trabalho que alertava para a necessidade de nutricionistas nos lares, baseado na recolha de informação credível e evidência científica, mas acabou por não sair do papel”, explicou.

“Infelizmente, até agora pouco ou nada foi feito”, afirma Alexandra Bento.

A bastonária lamenta que tenha sido necessário uma pandemia para chamar a atenção do Governo para a situações dos lares.

Tendo em conta esta situação critica, a ON disponibilizou-se a criar uma bolsa de nutricionistas destinada ao apoio a lares, contudo não houve procura por parte das instituições “por falta de disponibilidade financeira”.

Para a bastonária não basta que a Direção-Geral da Saúde (DGS) se limite a publicar um guia com orientações para fornecimento e distribuição de alimentação e organização de espaços para minimizar o risco de contágios nas Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) e Unidades de Cuidados Continuados Integrados.

“Não basta um manual e a definição de uma ementa, é preciso acompanhamento urgente dos idosos no terreno” , conclui Alexandra Bento, advertindo que os idosos em muitos dos casos “estão tão debilitados que nem sentem fome e sede ou resistem a comer por terem dificuldades em mastigar e deglutir”.

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