Obesidade: “É fundamental” integrar mais nutricionistas nos cuidados de saúde primários 1732

A Ordem dos Nutricionistas (ON) mostra-se preocupada com o aumento da obesidade infantil em Portugal, com a bastonária Alexandra Bento a defender ser “fundamental priorizar a integração de nutricionistas nos cuidados de saúde primários” como forma de combater esta realidade junto dos mais novos.

Em comunicado, a ON manifesta preocupação com os dados do Relatório preliminar da 6.ª ronda do COSI Portugal 2022 – sistema de vigilância nutricional infantil Childhood Obesity Surveillance Iniciative, divulgado esta terça-feira (27) pelo Instituto de Saúde Doutor Ricardo Jorge, e que revela que entre 2019 e 2022, o excesso de peso em crianças aumentou de 29,7% para 31,9%. A obesidade infantil cresceu 1,6 pontos percentuais (13,5%).

O documento demonstra um decréscimo da prevalência de excesso de peso e obesidade infantil nos últimos 8 anos, com as crianças dos 6 as 8 anos a apresentar os dados mais preocupantes. Para a ON, os dados “eram expectáveis e reforçam a necessidade urgente de intensificação de medidas para combater a obesidade infantil que é um dos mais preocupantes problemas de saúde pública da atualidade”.

“A redução que o país conseguiu, na última década – entre 2008 e 2019 – relativamente a esta matéria, com uma tendência decrescente do excesso de peso e obesidade nas crianças, tornou-se uma otimista conquista”, refere a responsável. No entanto, “constatar que estes dados já se encontram no sentido contrário, e que voltamos aos números de 2013, é sem dúvida preocupante.” Reforça que “com o cenário atual, e caso não se definam novas políticas de resposta a esta doença poderão ser precisos mais 10 anos para voltarmos aos números de 2019”.

Alexandra Bento não deixa de referir que a conjuntura mundial económico-financeira vivida por fatores como a pandemia, guerra e inflação, também comprometeram os progressos alcançados na melhoria do estado nutricional das crianças, pelo que teria sido fundamental uma monitorização mais atempada e regular desta doença, bem como termos tido a capacidade de antecipar e agir preventivamente de forma a travar o avanço de uma epidemia que sabemos pode ser prevenida e, no entanto, ameaça a saúde das nossas crianças.

Além disso, a Bastonária afirma que estes dados só reforçam o que tem vindo a ser defendido pela Ordem: “é fundamental priorizar a integração de nutricionistas nos cuidados de saúde primários, profissionais capacitados para trabalhar as questões relacionadas com a prevenção da doença e promoção de saúde, nomeadamente no que diz respeito a intervenções especificas de identificação precoce e seguimento”.

Acresce, ainda, que “as escolas portuguesas continuarem desertas de nutricionistas: recorde-se que, em 2021, e após vários anos de diligências da Ordem junto da Assembleia da República e do Governo, foi aberto o concurso público para a contratação de 9 nutricionistas para o Ministério da Educação, Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), mas infelizmente os nutricionistas ainda não se encontram a exercer funções nas escolas”.

Estes nutricionistas, lê-se em comunicado, teriam como papel principal “a monitorização e acompanhamento da alimentação nas escolas, farão certamente a diferença na promoção da literacia alimentar e no reforço dos bons hábitos alimentares em contexto escolar”.

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