O desafio do plástico na Economia Circular 383

Plástico, é um termo que advém do latim e significa “do que pode ser modelado”. Produzido no séc. XX. A indústria plástica, no ano de 2019 produziu 368 milhões de toneladas de plástico, sendo atribuída à Europa a produção de aproximadamente 58 milhões de toneladas (16%) e à Ásia e aos países da NAFTA (EUA, México e Canadá), 51% e 19%, respetivamente.

É de notar que o impacto do plástico e resíduos plásticos, no meio ambiente e saúde humana, cresce a um ritmo semelhante ao da sua produção. Neste sentido, a indústria de plásticos e os formuladores de políticas, trabalham em conjunto para encontrar soluções relativamente aos desafios das mudanças climáticas, da eficiência energética e de recursos, da proteção do consumidor e da economia circular.

Plásticos leves, versáteis e duráveis podem ajudar a economizar recursos essenciais. Porém, é fundamental garantir que cada vez mais resíduos plásticos sejam recuperados e não terminem em aterros ou a céu aberto. É urgente mudar o paradigma e seguir o principio da “redução, reutilização, recuperação e reciclagem” dos produtos, materiais e recursos, avançando na introdução do conceito da Economia circular.

Segundo o documento “Uma Estratégia Europeia para os Plásticos na Economia Circular” emitida pelo Parlamento Europeu em janeiro de 2018 “A Economia Circular é um modelo de produção e de consumo que envolve a partilha, a reutilização, a reparação e a reciclagem de materiais e produtos existentes, alargando o ciclo de vida dos mesmos” o que quer dizer que, na prática, a Economia Circular implica a redução do desperdício ao mínimo.

A reciclagem de resíduos plásticos, quando devidamente aplicada e efetuada, é fundamental para uma correta execução da Economia Circular e para que o plástico não seja nocivo para o meio ambiente. Contudo, a reciclagem de resíduos plásticos é escassa e pouco eficiente. Segundo os dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP 2018), desde o ano de 1972, de todo o plástico produzido mundialmente, somente 9% foi reciclado. Em 2018, na Europa, das 61.8 milhões de toneladas de plástico produzidas, somente 9.5 milhões de toneladas foram recicladas. Estes resultados, evidenciam bem a ineficiência da reciclagem.

A reciclagem, embora apresente um papel fundamental na Economia Circular, não é uma solução única para a poluição plástica, mas sim apenas um meio para a minimizar. Aperfeiçoar a reciclagem é um objetivo tão importante quanto reduzir a quantidade de resíduos produzidos e responsabilizar os seus produtores pela recolha, tratamento e impacto dos mesmos.

Um outro aspeto importante a destacar, sendo uma alternativa ao exposto até então, é o recurso aos bioplásticos, materiais alternativos ao plástico fóssil. São materiais feitos a partir de recursos de base biológica renováveis e/ou biodegradáveis. Condição crítica para minimizar o seu impacto ambiental e reivindicar maior sustentabilidade em relação aos plásticos convencionais. O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, na figura do Departamento de Alimentação e Nutrição, tem dedicado grande parte da sua investigação a esta temática colaborando em projetos nacionais e internacionais neste domínio.

Em março de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a COVID-19 como pandemia, levando vários países a acionar medidas de emergência que conduziram a situações que aumentaram a pressão sobre os circuitos de reciclagem, como por exemplo, o aumento exponencial de resíduos a nível hospitalar e a utilização massiva de plásticos de uso único. Infelizmente, estes fatores têm a capacidade de interferir com as políticas e objetivos direcionados à restrição do plástico atrasando a implementação das mudanças pretendidas.

Em Portugal, o Plano de Ação para a Economia Circular Nacional (PAEC), aprovado em 2017, pretende a transição da Economia Nacional para uma Economia Circular. É um plano alinhado com os objetivos do Acordo de Paris e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A par deste plano, inúmeros outros projetos têm sido desenvolvidos em Portugal de modo a suportar este processo, como por exemplo “O Roteiro para a neutralidade Carbónica 2050” (RCM nº107/2019) e a “Estratégia Portugal 2020”, entre outros. Fica aqui bem evidente, que para assegurar o equilíbrio e proteção do nosso planeta e da saúde humana, são essenciais políticas e medidas de proteção ambiental, de sustentabilidade e de implementação da economia circular.

Fernanda Vilarinho
Mestre em Ciência e Engenharia dos Alimentos, Doutorada em Engenharia dos Materiais
Departamento de Alimentação e Nutrição
Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA)

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