“Melhorias em ambos os casos”. Cerveja, com ou sem álcool, faz bem à microbiota intestinal 444

O consumo de cerveja, tenha ela álcool ou não, contribui para a melhoria da composição da microbiota intestinal, fator associado à prevenção de doenças crónicas como a obesidade, a diabetes e as doenças cardiovasculares, revela estudo do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde/NOVA Medical School – Faculdade de Ciências Médicas, publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry.

Este estudo foi realizado com participantes que beberam uma cerveja de 33 cl por dia, a acompanhar uma das suas refeições”, explica à VIVER SAUDÁVEL Ana Faria, que liderou o estudo com a colega Conceição Calhau. A investigadora explica que “foi muito interessante estudarmos não só a cerveja comum, que tem 5,2 de álcool, mas também a cerveja sem álcool”, verificando que “o efeito sobre a microbiota intestinal era independente do grau de álcool da cerveja”. “Vimos uma melhoria em ambos os caso”, reitera, ao reforçar que o produto pode ser efetivamente uma estratégia efetiva para a modulação da microbiota.

“O estudo vem no seguimento da nossa linha de investigação e obviamente aqui fomos testar uma bebida rica em polifenóis”, explica Ana faria, ao afirmar que a cerveja tem “vários fitoquímicos que são extraídos e vários componentes da fermentação que podem ter um impacto sobre os microrganismos intestinais”. Neste sentido, “o nosso objetivo foi tentar perceber de que forma estes componentes que existem na cerveja podiam afetar o microbiota intestinal, medula-lo e eventualmente ter algum impacto na saúde do hospedeiro”, continua.

Não aumentando o peso nem a massa gorda, a ingestão de cerveja parece não interferir de forma significativa em biomarcadores cardiometabólicos como a glicose, o colesterol LDL e HDL e os triglicerídeos, entre outros. No decurso do ensaio verificou-se ainda uma diminuição da fosfatase alcalina, importante biomarcador de danos no fígado, rins e ossos, “independentemente do grau de álcool da cerveja”, garante a investigadora do CINTESIS.

Bebida “nutricionalmente interessante” 

Com o estudo da cerveja com e sem álcool como “uma das mais valias deste estudo”, verificou-se um “efeito positivo numa bebida que é fermentada à base de cereais, nutricionalmente interessante, que não tem o efeito do etanol e que no conjunto de uma dieta equilibrada, saudável e variada pode ser incluída sem qualquer prejuízo, pelo menos nas doses e neste formato em que a testamos”, assume Ana Faria.

A investigadora destaca ainda o “seu teor em fitoquímicos e em alguns elementos que sabemos que existem na cerveja, tal como as vitaminas do complexo B. Obviamente que existem também em outras fontes alimentares mas a cerveja é também uma fonte destes constituintes”, conclui a investigadora, que sugere que a promoção de alterações na microbiota intestinal através de intervenções na dieta pode contribuir para prevenir doenças.

De acordo com outro estudo deste grupo do CINTESIS/NOVA Medical School, a baixa variedade das bactérias presentes no intestino está relacionada com um maior risco de ter COVID-19 grave, uma condição na qual a obesidade e a diabetes são importantes fatores de risco. Além de Ana Faria e Conceição Calhau, este estudo tem como autores outros investigadores do CINTESIS, nomeadamente Cláudia Marques, Liliana Dinis, Inês Barreiros Mota, Juliana Morais, Shámila Ismael, André Rosário, Diogo Pestana e Diana Teixeira.

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