Representantes de governos, municípios, academia e sociedade civil assinam hoje o “Manifesto de Lisboa para a Saúde Sustentável”, um documento que apela aos governos para que assumam esta área como uma prioridade política transversal.
Alinhado com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e no âmbito da implementação do Plano Nacional de Saúde 2030 de Portugal, o manifesto será subscrito por “entidades e personalidades nacionais e internacionais” num seminário internacional que decorre hoje em Lisboa.
Segundo fonte da Direção-Geral da Saúde (DGS), que coordenou o documento, este é o “primeiro passo de cooperação nacional e internacional e da ação partilhada rumo à visão comum” em que todas as pessoas, ao longo do seu ciclo de vida, possam alcançar o seu potencial máximo de saúde e bem-estar, noticia a Lusa.
O manifesto está organizado em três dimensões – social, económica e ambiental -, prevendo, entre vários pontos, a promoção da literacia em saúde, o reforço da participação das pessoas na tomada de decisões, o investimento nos sistemas de saúde de forma adequada e alinhada com a sustentabilidade financeira e redução da pegada ecológica dos serviços e infraestruturas de saúde.
Os subscritores apelam no documento aos governos nacionais para que tornem a saúde sustentável uma prioridade política transversal e que asseguram o investimento adequado e sustentável nos sistemas de saúde.
Nos pontos dirigidos ao setor da saúde, o manifesto apela para o investimento na promoção da saúde e na prevenção da doença, mas também que fortaleça os cuidados primários como base do sistema, e que assegure o acesso e a qualidade dos cuidados preventivos, de diagnóstico, de tratamento, de reabilitação, continuados e paliativos ao longo do ciclo de vida.
O documento deixa o apelo às autoridades locais e regionais para que desenvolvam e implementem planos de saúde com foco na saúde sustentável e que integrem a saúde no ordenamento e desenvolvimento dos territórios.
Pretende ainda que os cidadãos participem no desenvolvimento das políticas de saúde e que exijam transparência e prestação de contas das instituições, dirigindo ainda um apelo para que a academia aproxime a investigação da prática e que forme profissionais preparados para os desafios da sustentabilidade.
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O manifesto reconhece que “toda a pessoa tem direito a usufruir do mais elevado nível possível de saúde e bem-estar, sem distinção de qualquer natureza”, mas também que a pobreza é a “maior ameaça à saúde e que os determinantes sociais, económicos e ambientais são tão importantes como os fatores biomédicos e comportamentais”.
Refere que a saúde é também uma escolha política e que as políticas em todos os setores, como a educação, ambiente, economia, habitação, transportes, “têm profundos impactos na saúde das populações”.
“A saúde humana é indissociável da saúde planetária e que as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a degradação ambiental constituem ameaças existenciais à saúde e ao bem-estar”, salienta o manifesto.




