Cerca de 43.000 palestinianos em Gaza sofreram ferimentos que lhes causarão sequelas para toda a vida desde o início da guerra no enclave e continuam sem acesso a reabilitação, alertou esta terça-feira (12) a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Em 2.500 desses casos, os ferimentos ocorreram após a declaração de cessar-fogo em outubro passado, enquanto um quarto dos feridos com sequelas para toda a vida são crianças, segundo dados da OMS.
A guerra em Gaza provocou um total de 172.000 feridos, além de um número estimado de 73.000 mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.
As lesões graves abrangem várias categorias, mas a maioria corresponde a lesões importantes nas extremidades, com mais de 22.000 casos, seguidas de amputações de membros por lesões traumáticas (5.000 casos), lesões na medula espinhal (2.000), queimaduras graves (3.400) e traumatismos cranioencefálicos graves (mais de 1.300), detalhou a organização.
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A magnitude do desafio torna-se evidente se, por exemplo, se considerar que das 2.300 pessoas com amputações avaliadas entre setembro de 2024 e este mês, apenas 500 receberam próteses permanentes, devido ao facto de os serviços de reabilitação em Gaza serem fortemente limitados.
Estima-se que seriam necessários pelo menos 33.000 produtos e tecnologias de apoio para cobrir a procura.
“Nenhum centro de reabilitação está a funcionar a pleno regime; há menos hospitais a oferecer reabilitação especializada do que antes do conflito e mais de 400 doentes estão em listas de espera por camas de reabilitação especializada”, explicou por teleconferência a partir de Jerusalém a especialista da OMS, Reinhilde Van De Weerdt, citado pela Lusa.
De acordo com De Weerdt, isto faz com que os doentes internados recebam alta antecipadamente, interrompendo a sua recuperação e aumentando o risco de incapacidade permanente, reconheceu.
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A OMS confirmou que nenhuma equipa de reabilitação entrou em Gaza nos últimos dois anos e que, desde meados de abril de 2026, 18 remessas de material relacionado com a reabilitação — como cadeiras de rodas para adultos e crianças, próteses e equipamento básico de reabilitação, como bicicletas estáticas — estão pendentes de autorização por parte de Israel.
Os tempos de espera para obter essas autorizações variam entre, pelo menos, 130 dias e 520 dias, ou seja, um ano e quatro meses, acrescentou.




