Madeira lança estratégia alimentar para travar obesidade

A fraca adesão à dieta mediterrânica e o aumento do número de pessoas com excesso de peso na região autónoma levaram a que fosse delineada uma estratégia de intervenção para os próximos dois anos.

O diagnóstico, feito em 2024 e 2025, aos hábitos alimentares dos adultos residentes na Região Autónoma da Madeira não deixa margem para dúvidas: a dieta mediterrânica tem uma baixa adesão.

Apesar do azeite ser a gordura apontada como preferida pelos habitantes para cozinhar e temperar os alimentos, não é utilizado nas quantidades ideais e o consumo de hortícolas, pescado e leguminosas está abaixo do desejado. Se a adesão à dieta mediterrânica em Portugal é de 26%, na Madeira baixa para 9,5%. Condições económicas e outras questões, como o sabor, são apresentadas como fatores que condicionam o consumo.

Os dados apresentados nas III Jornadas do Serviço de Nutrição do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM), no Funchal, surgem com outro diagnóstico que é motivo de preocupação – 63,4% da população adulta residente no arquipélago tem excesso de peso, valor que tem vindo a aumentar nas últimas duas décadas. “Verificamos que 19,8% da população adulta tem obesidade grau I”, adiantou Bruno Sousa, do Serviço de Nutrição do SESARAM.

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A avaliação dos hábitos alimentares e estado nutricional da população foi o ponto de partida para a apresentação da estratégia de intervenção alimentar na região autónoma da Madeira. Diana Silva, do Serviço de Nutrição do SESARAM, alertou que os desafios são muitos e o contexto não se apresenta favorável. “O acesso a uma alimentação saudável não é equitativo para todos. O próprio acesso à saúde também não é”, admitiu.

A obesidade, definida como doença crónica desde 1997, afeta 28,7% da população adulta portuguesa. Já na Região Autónoma da Madeira as estatísticas apontam para que 22,3% dos habitantes sejam obesos.

Alteração de escolhas alimentares

A baixa adesão da população madeirense à dieta mediterrânica foi um dos dados apontados com mais preocupantes. A Estratégia de Intervenção Alimentar pretende que haja um aumento de 10% na aceitação deste padrão alimentar.

Meta que para ser alcançada requer um trabalho junto da população com campanhas de sensibilização e educação alimentar. “Vivemos num contexto atual em que existe muita informação, mas muita dessa informação é desinformação e, portanto, a população precisa de ter fontes fidedignas em que possa confiar”, referiu Diana Silva.

O que prevê a Estratégia de Intervenção Alimentar?

  •  Regulamentação da oferta nas máquinas de venda automática;
  • Modificação da oferta alimentar em espaços públicos;
  • Destaque do perfil nutricional de hortícolas, leguminosas e pescado;
  • Promover a referenciação para consultas de nutrição;
  • Aumento em 5% da frequência de consumo de pescado, hortícolas e leguminosas.

A nutricionista sublinhou ainda a importância de os dados apresentados na conferência serem trabalhados nos centros de saúde e difundidos nos meios de comunicação e redes sociais. O aconselhamento sobre hábitos alimentares saudáveis antes e durante a gravidez é outro dos objetivos delineados na Estratégia. “Se atuarmos de forma precoce conseguimos prevenir o aparecimento do excesso de peso e da obesidade”, afirmou.

Sendo o excesso de peso e a obesidade os fatores de risco que mais contribuem para a carga de doença na população portuguesa, a falta de literacia em saúde surge neste contexto como um obstáculo. “Sabemos que a desinformação e o excesso de informação são um problema na área da alimentação e da nutrição. Quem está a chegar às pessoas não tem formação suficiente na área da saúde”, sublinhou Maria João Gregório, diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde, na abertura da conferência.

A responsável lembrou dados recentes da OCDE que indicam que o aumento da prevalência da obesidade está a anular os ganhos na redução de outros fatores de risco como o tabagismo, o consumo de álcool e o sedentarismo.

 

Face a uma edição positiva, está já marcado um quarto encontro para o dia 18 de junho de 2027, no mesmo formato híbrido – “que funciona muito bem” -, antecipado pela realização de cursos pré-Jornadas. Conheça o balanço de Bruno Sousa aqui.