Investigadoras criam embalagens comestíveis a partir de resíduos agro-alimentares 914

Uma equipa de investigadoras da Universidade de Coimbra (UC) e da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), desenvolveu uma alternativa sustentável ao plástico: embalagens comestíveis a partir de resíduos do sector agro-alimentar e da pesca, que prolongam a vida útil dos produtos.

As embalagens comestíveis são “filmes obtidos a partir de resíduos de diferentes alimentos, nomeadamente de cascas de batata e de marmelo, fruta fora das características padronizadas e cascas de crustáceos”, explicou a UC, em comunicado.

“Além de revestirem os alimentos, prolongando a sua vida útil na prateleira do supermercado”, as embalagens também “podem ser ingeridas”.

As embalagens foram “pensadas essencialmente para revestir frutas, legumes e queijos, incorporando na sua matriz compostos bioactivos/nutracêuticos, tais como antioxidantes e probióticos, com potenciais efeitos benéficos para a saúde”, indica a UC.

Um dos exemplos dados é, por exemplo, “cozinhar brócolos ou espargos sem ser necessário retirar a embalagem, uma vez que a película que os envolve é composta por nutrientes naturais com benefícios para a saúde”.

Estas embalagens são feitas com “composições diferenciadas de filmes, usando os resíduos quase integralmente, que contêm compostos com propriedades diferentes. A casca de batata tem mais amido e a casca de marmelo mais pectina, ou seja, temos dois materiais poliméricos estruturais que, combinados, vão gerar um filme simples, sem processamentos complexos”, explicam as investigadoras.

Esta solução de embalagens “não só aumenta a vida útil do produto na prateleira, como também evita o desperdício, reduz a produção de lixo plástico, um grave problema ambiental, e gera um novo produto que confere um adicional nutritivo ao alimento”, concluem as investigadoras.

Estas embalagens foram criados por Marisa Gaspar, Mara Braga e Patrícia Almeida Coimbra, do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC).

A pesquisa foi iniciada em 2018, no âmbito do projeto MultiBiorefinery, financiado pelo Compete 2020. Entretanto, foi recentemente distinguida com um prémio de 20 mil euros pelo programa Projetos Semente de Investigação Interdisciplinar – Santander UC (atribuído a equipas multidisciplinares lideradas por jovens investigadores na UC).

Foi ainda premiada no concurso de ideias LL2FRESH, que visa procurar novas soluções de embalagem, métodos de tratamento de alimentos e aditivos de última geração. No âmbito deste projeto foi publicado um artigo científico na revista Food Packaging and Shelf Life.

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