Comer é uma ação identitária e cultural “plena de significado” 1093

Aquilo que cozinhamos e a forma como comemos representa um vasto conjunto de ações identitárias e culturais “plenas de significado” para as mais variadas comunidades no mundo.

A narrativa foi partilhada no debate “Sistemas alimentares: riscos e oportunidades”, promovido pelas XII Jornadas Científicas de Ciências da Nutrição do Instituto Universitário de Ciências da Saúde (IUCS) – Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU), no dia 9 de abril, no Porto.

Moderado pelo nutricionista Carlos Portugal Nunes, em representação do IUCS-CESPU, o painel “Sistemas alimentares: riscos e oportunidades” arrancou com a intervenção da também nutricionista Ana Helena Pinto sobre a importância de preservar e valorizar a identidade alimentar, que definiu como “a essência do que permite, em âmbito alimentar, reconhecer e distinguir um território de outro. Representa uma chave da preservação da biodiversidade e da cultura alimentares, uma forma de potenciar o desenvolvimento local»”.

E não se restringe apenas aos produtos autóctones e às receitas, vai muito além disso. “Fala de combinações de alimentos, de tradições, de espaços, de utensílios, de histórias, de memórias. O ato de cozinhar, de consumir um ‘prato’, de o fazer de uma certa forma, de o partilhar ou não, são ações plenas de significado, que dizem respeito à cultura e à identidade de cada comunidade”, desenvolveu a fundadora e CEO da Nutrition for Happiness.

De acordo com a mentora do projeto Identidade Alimentar Territorial, um dos finalistas nomeados na categoria “Nutrição Comunitária e Saúde Pública” dos Prémios VIVER SAUDÁVEL 2023, “a identidade alimentar lê-se na paisagem, no trabalho e na forma como as pessoas se relacionam, nas trocas e nas rotas alimentares, desde a produção até ao consumo”. “Depende de todos nós, consumidores e cidadãos, utilizadores diários da alimentação, valorizar e melhorar a adesão a um padrão alimentar vinculado ao território, que respeite quem somos no coletivo e que aproveite o valor da individualidade para inovar. Preferir produzir, transformar, comprar, preparar, cozinhar, partilhar e saborear identidade alimentar”, rematou.

“Passar da teoria à prática” é um dos artigos de cobertura da próxima edição da revista VIVER SAUDÁVEL, afeta aos meses de maio e junho, a ser disponibilizada brevemente. Conheça mais especificidades a ter em conta pelo nutricionista nesta temática na sua revista profissional.

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