Cientistas criam cola sintética que pode ajudar a tratar intolerância à lactose 413

Uma investigação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, desenvolveu uma cola sintética que pode revestir o intestino delgado e regular a absorção de vários nutrientes, e tratar intolerância à lactose.

O estudo que levou a esta descoberta, denominado por “Gastrointestinal synthetic epithelial linings“, é da autoria de Junwei Li, Thomas Wang, Ameya R. Kirtane, Yunhua Shi, Alexis Jones, Zaina Moussa, Aaron Lopes, Joy Collins, Siddartha M. Tamang, Kaitlyn Hess, Rameen Shakur, Paramesh Karandikar, Jung Seung Lee, Hen-Wei Huang, Alison Hayward e Giovanni Traverso.

O intestino delgado absorve nutrientes dos alimentos, mas nem sempre funciona com todo o seu potencial, e pode não conseguir produzir quantidade suficiente de uma enzima chamada lactase, necessária para digerir a lactose.

Esta cola sintética, que adere ao intestino delgado, pode ser a base de um tratamento para vários problemas de saúde, como a intolerância à lactose, a diabetes e a obesidade.

Por isso, para ajudar a tratar este e outros distúrbios digestivos, uma equipa de investigadores estudou o intestino delgado e desenvolveu uma cola sintética que pode revestir todo o intestino delgado e regular a absorção de vários nutrientes.

Este revestimento é introduzido no corpo humano através de uma bebida que contém produtos químicos que se unem quando encontram uma determinada enzima no intestino delgado. A substância resultante, chamada polidopamina, e é semelhante à cola que os mexilhões usam para se agarrarem as rochas húmidas à beira-mar.

Para verificarem a eficácia desta cola sintética, foram feitos testes com porcos.

Os cientistas descobriram que podiam controlar a absorção de diferentes nutrientes no intestino delgado ao adicionar várias substâncias. Ao adicionar lactase na sua cola sintética, aumentaram a digestão da lactose em 20 vezes.

Conseguiram também reduzir a absorção de glicose, misturando um tipo específico de nanopartícula neste revestimento, o que poderá representar um novo tratamento para doenças como a diabetes e a obesidade.

Este revestimento sintético aderiu ao intestino delgado durante cerca de 24 horas antes de ser naturalmente lavado e expelido do corpo dos cobaias. Isto significa que a bebida teria de ser consumida diariamente para continuar a ter resultados.

Os investigadores indicam que não foram observados efeitos colaterais nos porcos, contudo aconselham a realização de mais testes noutros animais, antes de se poder avançar para os testes em pessoas.

Pode consultar o estudo aqui.

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