UNRWA não consegue entregar alimentos no norte de Gaza há duas semanas 885

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA) indicou na quinta-feira (08) que não consegue entregar alimentos no norte de Gaza há duas semanas, e que os palestinianos que permanecem na zona estão “à beira da fome”.

“A última vez que a UNRWA foi autorizada [pelo exército israelita] a entregar alimentos [na zona norte da Faixa de Gaza] foi a 23 de janeiro”, afirmou o comissário-geral da organização, Philippe Lazzarini, na rede social X (antigo Twitter), citado pela Lusa.

Desde o início do ano, metade dos pedidos da UNRWA para missões de ajuda no norte foram rejeitados.

Esta zona, que inclui a cidade de Gaza, bem como as zonas mais setentrionais de Jabalia, Beit Hanoun e Beit Lahia, fortemente destruídas pelos combates e bombardeamentos israelitas, foi isolada do sul da Faixa de Gaza, onde muitos dos habitantes foram retirados e permanecem agora deslocados, em grande parte na zona sul de Rafah, onde se aglomeram mais de um milhão de civis palestinianos.

No norte, acredita-se que haja 800.000 palestinianos que não deixaram a região, incluindo cerca de 300.000 pessoas que dependem da ajuda da UNRWA para sobreviver, refere Lazzarini, denunciando que “impedir o acesso impede a ajuda humanitária de salvar vidas”.

“Com a vontade política necessária, esta situação pode ser facilmente invertida”, acrescentou o comissário-geral da UNRWA.

No final de janeiro, o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) já tinha afirmado que Israel tinha aumentado a taxa de recusas de missão e de acesso humanitário ao norte de Gaza.

O OCHA descreveu a decisão israelita como “um aumento dramático da taxa de recusas”, numa “deterioração acentuada em relação aos meses anteriores”.

O norte de Gaza tem sido um dos locais mais atingidos pela ofensiva terrestre israelita iniciada a 27 de outubro, com destaque para a zona norte, onde Israel afirmou em janeiro ter concluído o desmantelamento da infraestrutura militar do Hamas.

No entanto, o grupo islamita continua a resistir, o que levou o exército a reforçar a presença das tropas na zona, cujos habitantes estão sujeitos a um grave colapso humanitário, ao isolamento e à devastação generalizada.

Desde o início da guerra, a 07 de outubro, mais de 27.800 habitantes de Gaza foram mortos pela ofensiva israelita em Gaza, tendo 130 pessoas sido mortas em ataques nas últimas horas, indicam dados do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas.

Entretanto, Israel prossegue a ofensiva na zona sul de Khan Yunis, com o objetivo de atingir a ponta sul de Rafah, junto à fronteira com o Egito.

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