Taxas no take-away não agradam e ameaçam negócio 438

Trinta cêntimos mais IVA, ou seja, trinta e sete cêntimos (0,37 euros). É este o valor que, desde 1 de julho, os restaurantes, cafés, pastelarias e supermercados que vendam refeições têm de cobrar aos clientes para que a comida saia dos estabelecimentos em embalagens de plástico de uso único.

Este preço que se reflete na carteira do consumidor vai chegar às caixas de alumínio já no próximo ano e, assim, os negócios de take-away, tão relevantes durante a pandemia, estão ameaçados e poderão ser penalizados, segundo a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) e a Associação Nacional de Restaurantes PROVAR, que falaram ao Dinheiro Vivo.

“Na modalidade de entrega ao domicílio e drive in, não existe nenhuma alternativa para o cliente que não o pagamento da taxa, uma vez que, pela natureza destes serviços, os clientes não entram nos estabelecimentos para encomendar ou recolher os seus produtos, sendo, por isso, impossível a utilização dos seus próprios recipientes”, disse ao DN/Dinheiro Vivo Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP

Já Daniel Serra, presidente da PROVAR, diz ser bastante provável que “a taxa tenha um maior impacto negativo para os empresários que operam nos segmentos das refeições económicas”.

Ana Jacinto alerta para o facto de “os consumidores perderem poder de compra” e que a AHRESP, que já demonstrou a sua preocupação a Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente, destaca que “a imposição desta contribuição vai agravar ainda mais o preço da mesma”.

Em 2023 a taxa será alargada alargamento às embalagens de alumínio, também de uso único, e mais uma vez o cenário não será favorável, garantem as instituições. Daniel Serra refere que “a medida que fomenta a introdução de embalagens reutilizáveis pode trazer riscos de contaminação cruzada e potenciar a proliferação de fungos e bactérias”. Admite, contudo, que até possam existir “soluções para mitigar o risco”, mas que é necessário “mais tempo para implementar novos processos e adquirir os equipamentos necessários para a esterilização das embalagens”. Isto resulta em mais custos para os empresários, o que levou a PROVAR a pedir ao governo “que encontre mecanismos de apoio ao setor e mais tempo de adaptação”.

Ana Jacinto relembra ainda que “não existem no mercado embalagens alternativas que sejam igualmente eficazes”.

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