ON pede avaliação do estado nutricional das crianças pós crise pandémica 261

Após a divulgação do Relatório COSI (Childhood Obesity Surveillance Initiative) Portugal, a Ordem dos Nutricionistas (ON), emitiu um comunicado, a congratular-se com a redução do excesso de peso e obesidade infantil, contudo pedem que se avalie o estado nutricional das crianças pós crise pandémica.

Segundo os dados divulgados, entre 2008 e 2019 assistiu-se a uma redução na prevalência de excesso de peso e da obesidade, contudo a ON receia que a pandemia possa ter invertido esta tendência positiva de Portugal.

“A Ordem dos Nutricionistas pede especial atenção ao período pandémico durante o qual se estima que o peso da população nacional tenha sofrido um aumento”, indicam.

E sublinham que “esta preocupação demonstrada pela Ordem dos Nutricionistas baseia-se nos recentes estudos divulgados, nomeadamente a Balança Alimentar 2016-2020, que concluiu que o os portugueses consumiram o dobro da energia necessária e se alimentaram de forma desequilibrada, e o REACT-COVID 2.0, que demonstra que a pandemia agravou as desigualdades na alimentação, com os mais desfavorecidos a aumentarem o consumo de refeições pré-preparadas, de snacks doces e salgados, de refrigerantes e de refeições de takeaway”.

Para a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, este foi um progresso positivo, mas é preciso ver além destes valores.

“Sem dúvida que foi um progresso positivo, tanto mais que esta tendência invertida de excesso de peso e obesidade se verifica desde 2008 a 2019, no entanto não nos podemos demitir de responsabilidades quando ainda uma em cada três crianças portuguesas tem peso acima do recomendado, especialmente quando passamos por um período longo de alterações na alimentação, acompanhado pela redução da prática de exercício físico, o que pode ter hipotecado estes resultados”, afirma, citada no comunicado divulgado.

Como tal, a ON pede que seja “feita uma nova recolha e análise de dados sobre o estado nutricional das crianças, para que, de facto, se possa ter um conhecimento real do impacto da pandemia no estado nutricional das crianças e, consequentemente, na sua saúde”.

“Estávamos no bom caminho, mas ainda nos encontramos longe do destino ao qual desejamos chegar. E, sobretudo, não sabemos qual é o atual estado nutricional das nossas crianças. É preciso dados atuais sobre o peso das crianças e mais ritmo e mais intensidade na implementação de medidas que contribuam para que as crianças adquiram conhecimentos e competências para fazerem escolhas alimentares mais saudáveis”, concluiu Alexandra Bento.

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