OMS – Publicidade digital promove produtos nefastos para a saúde de jovens e crianças 0 117

Jovens e crianças estão demasiado expostos a produtos nefastos para a saúde através das redes sociais por consequência da falta de regulamentação da publicidade digital, alerta um relatório da divisão europeia da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O documento, intitulado «Supervisão e restrição do marketing digital de produtos nocivos para crianças», avança com a necessidade de uma maior monitorização da publicidade digital deste tipo de produtos por parte dos países, mas também dos pais das crianças

Ainda que as políticas existentes para limitar a campanha de produtos nocivos à saúde junto de menores, tais como bebidas com altos índices de gordura, açúcar e sal, bebidas alcoólicas ou tabaco, e ainda novos produtos como cigarros eletrónicos, a OMS Europa considera existirem sinais de que as crianças continuam expostas a este tipo de produtos, através dos meios digitais.

Os autores do relatório estão em crer de que o controlo da publicidade digital de alimentos pouco saudáveis dirigida a crianças e jovens pode ser fundamental para reduzir os efeitos negativos em problemas de saúde como doenças cardíacas, cancro, obesidade e doenças respiratórias crónicas. Estas representam 86% das mortes e 77% das despesas com cuidados de saúde na Europa.

O relatório é o resultado de uma reunião de especialistas feita em junho em Moscovo, entre os quais estava o português João Breda, o coordenador da direção para a prevenção e controlo de doenças crónicas não transmissíveis da OMS da Europa.

A reunião pretendeu discutir os desafios da publicidade digital de produtos prejudiciais à saúde, tendo por base a constatação de que as crianças passam cada vez mais tempo na Internet, nomeadamente em redes digitais. Assim, a exposição à publicidade digital cresceu bastante, através de técnicas cada vez mais sofisticadas e transmissão de mensagens «cada vez mais persuasivas», como referem os autores à fonte.

Os especialistas alertaram também para o facto de que «as estratégias de regulação e auto-regulação que existam para a televisão e outros meios de comunicação social tradicionais estão obsoletas», afirmou o investigador à “Lusa”, depois da apresentação do estudo em Londres.

Desta exposição resultou o desenvolvimento de uma ferramenta chamada CLICK, para monitorizar a exposição das crianças à publicidade digital, numa fase a ser testada por alguns países, e cujos resultados deverão ser divulgados no final do ano.

«É necessária uma atitude mais musculada por partes das entidades públicas, mas os países não podem trabalhar sozinhos, por isso queremos desenvolver ferramentas e estratégias comuns», explicou João Breda.

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