Nutricionista em Meio Hospitalar em Tempos de Pandemia por COVID-19 724

A COVID-19, é uma doença infeciosa aguda do trato respiratório geradora do surto pandémico atual que veio reformular a atuação do Nutricionista a nível hospitalar. Sendo o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), um dos principais centros nacionais de referenciação para o tratamento de doentes COVID-19, no qual foram instituídos planos de contingência apertados para mitigar a propagação da doença, a atuação profissional do Nutricionista adquiriu novos contornos, quer no contexto assistencial de internamento quer de ambulatório.

Em contexto de internamento, dadas as restrições de circulação impostas em vários serviços clínicos, todo o processo de avaliação, intervenção e monitorização nutricional foi feito remotamente. Tendo sido privilegiado o acesso digital à informação e à telecomunicação com outros profissionais de saúde, nomeadamente equipas médicas e de enfermagem, fulcrais na mediação da comunicação entre o Nutricionista e o doente, em colaboração multidisciplinar.

No âmbito assistencial em ambulatório imperaram, à semelhança de outras especialidades clínicas, as teleconsultas, que surgiram como forma de dar continuidade ao seguimento nutricional dos doentes. Com este modelo assistencial foi possível retomar o acompanhamento e orientação nutricional contínuos, de forma segura, não desmazelando as metas individuais. Percebeu-se uma grande recetividade dos doentes a este novo modelo, tendo-se conseguido manter a avaliação da anamnese alimentar, a consulta dos dados bioquímicos, bem como traçar e rever objetivos terapêuticos, não obstante da coexistência de algumas dificuldades na avaliação dos parâmetros antropométricos quer, pela inexistência de equipamento de medição ou pela baixa literacia dos doentes. Todo o ensino e explicação do plano alimentar (se aplicável), tem sido também realizado via telefónica, com o seu posterior envio por e-mail ou correio registado.

Com a rápida adaptação e implementação deste novo conceito de “trabalho à distância” foi possível atenuar os efeitos de uma expectável deterioração do estado nutricional dos doentes em seguimento. E, no meu entender, a necessidade de implementação deste novo modelo de trabalho a nível hospitalar, vem mostrar o quão simples e aplicável é a teleconsulta. Abrindo portas para que no futuro, seja possível realizar, a par das consultas presenciais, um maior acompanhamento de doentes que necessitem de uma monitorização mais frequente face ao agendamento presencial disponível, mas também que possuam uma residência distante, dificuldades de deslocação/económicas ou estejam institucionalizados. Deste modo, estaremos cada vez mais perto de alcançar uma maior equidade no acesso de todos à nutrição em ambiente hospitalar.

Fábio Cardoso
Nutricionista

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