A Universidade NOVA de Lisboa promoveu, no âmbito do projeto BANDUA, um estudo sobre saúde mental e bem-estar da sua população estudantil, com o objetivo de caracterizar as diferentes dimensões da saúde mental, da satisfação com a vida e dos estilos de vida dos estudantes.
O questionário envolveu cerca de 1860 estudantes de todas as unidades orgânicas da NOVA, com uma idade média de 26 anos, e abrangeu dimensões como o bem-estar subjetivo, a sintomatologia de ansiedade e depressão, a satisfação com a vida académica, a atividade física, o sono, o consumo de tabaco, álcool e substâncias psicoativas e a procura de informação sobre saúde mental.
Os resultados mostram que os estudantes apresentam indicadores globalmente positivos em algumas dimensões, mas que persistem desafios importantes ao nível do bem-estar psicológico e dos estilos de vida. Na avaliação da satisfação com a vida, os valores médios obtidos (20,58 numa escala de 0 a 35) indicam uma satisfação apenas moderada, sem tendência clara para a satisfação ou insatisfação.
Já na sintomatologia de ansiedade e depressão, os resultados apresentam maior frequência de queixas no domínio da ansiedade: 25% dos estudantes apresentam pontuações iguais ou superiores a 7 (num total de 9) na ansiedade e 25% pontuações iguais ou superiores a 6 na depressão. A satisfação com a vida académica revela grande heterogeneidade, destacando-se uma maior satisfação com as relações estabelecidas com colegas, docentes e colaboradores do que com as componentes curriculares e as atividades extracurriculares.
No que diz respeito aos comportamentos relacionados com a saúde, o retrato é misto. Apenas uma minoria dos estudantes reporta fumar (13,7%), consumir bebidas alcoólicas de forma regular (9,2%) ou consumir substâncias psicoativas (3,1%). Em contraste, cerca de 44,4% referem praticar atividade física raramente ou nunca e 26,5% classificam a qualidade do seu sono como fraca ou muito fraca.
As análises preliminares sugerem ainda diferenças entre ciclos de estudos, com piores resultados entre os estudantes de licenciatura. Um dado encorajador é o nível de literacia em saúde mental: a maioria dos estudantes afirma sentir-se confiante em saber onde procurar informação sobre perturbações mentais e em estabelecer contactos para esse efeito.
Estes resultados reforçam que a promoção da saúde mental e do bem-estar dos estudantes exige uma abordagem integrada, que combine o apoio especializado em saúde mental com a criação de condições que favoreçam estilos de vida saudáveis — sono, atividade física e equilíbrio entre a vida académica e pessoal — e com o desenvolvimento de ambientes académicos promotores de saúde. O estudo constitui uma base de evidência para orientar as políticas e as respostas da NOVA neste domínio, dando particular atenção aos grupos que apresentam maior vulnerabilidade.
Os resultados do estudo serão apresentados esta segunda-feira, 21 de setembro, durante o encontro “BANDUA: um percurso de cuidado, inovação e futuro”, que decorre na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa, no Campus de Campolide.




