Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food (comida lenta), a organização que promove a alimentação saudável e a produção sustentável de alimentos em Itália, morreu na quinta-feira à noite aos 76 anos, informou a organização num comunicado.
Nascido em Bra, na província de Cuneo, norte de Itália, Petrini começou por escrever sobre gastronomia e vinhos para vários jornais e trabalhou na criação da revista Gambero Rosso.
Fundou a Slow Food em 1986, originalmente denominada Arcigola, que surgiu como uma associação cultural com o objetivo de redescobrir a história gastronómica italiana em oposição ao fenómeno contemporâneo da comida rápida (‘fast food’), mas que também procurava promover a proteção da biodiversidade, técnicas agrícolas não invasivas e hábitos como o respeito pelos ritmos naturais, pelo ambiente e pela saúde do consumidor.
Nos anos seguintes, a Slow Food tornou-se uma associação reconhecida, tanto em Itália como no estrangeiro, e em 1989 transformou-se numa organização internacional.
A Slow Food está hoje presente em 170 países, colabora com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e desenvolve iniciativas como projetos de educação alimentar para crianças e adultos, a Arca do Gosto (‘Ark of Taste’), que já catalogou mais de 1.500 alimentos em risco de extinção.
Em 2004, Petrini, através da Slow Food, fundou a Universidade de Ciências Gastronómicas de Bra, a primeira universidade do mundo dedicada inteiramente à cultura agroalimentar e à ecologia, e criou a exposição Terra Madre Salone del Gusto em Turim.
Em 2013, recebeu o prémio “Campeão da Terra” do Programa das Nações Unidas para o Ambiente, um dos mais importantes prémios ambientais internacionais.
A fórmula “bom, limpo e justo” era o programa moral de Petrini para a alimentação e contra a ilusão de que a Terra é um recurso inesgotável.
A filosofia deste empreendedor conquistou o Papa Francisco e o rei Carlos III do Reino Unido, pelo compromisso com a defesa da natureza.
“Estamos doentes de tanto”, costumava repetir Carlin, como era conhecido e, segundo a Lusa, acrescentava: “e esse excesso começa nos nossos frigoríficos”.
Petrini defendeu também compras diárias mais conscientes, para reduzir a distância entre os produtos e os consumidores: “30% dos alimentos do planeta são desperdiçados, enquanto mil milhões de pessoas sofrem de desnutrição e 800 milhões de excesso de peso. Uma solução? Comecemos por reduzir o consumo de carne”.




