Método3Fases – Nutrição baseada em evidência 4586

A obesidade continua a constituir um desafio major de saúde pública no século XXI [1]. Apesar da diversidade de estratégias para a redução ponderal, é consensual junto da comunidade científica, a necessidade de se criar um balanço energético negativo para que a perda de peso ocorra, ou seja, a energia ingerida deverá ser inferior àquela que é gasta [2]. Ainda que pareça uma questão aparentemente simples de solucionar, na realidade, a perda de peso nem sempre é fácil de ser alcançada mediante alterações de estilo de vida [3].

Existem várias abordagens nutricionais para a perda de peso, e independentemente da estratégia utilizada, a inter-individualidade das respostas é elevada. As abordagens mais estudadas para a perda de peso são as dietas low-fat (restrição lipídica) e low-carbohydrate (restrição dos hidratos de carbono), sendo que em condições isocalóricas não existem diferenças significativas ao nível da perda de peso entre ambas [1]. Ainda assim, em ambiente não controlado, as dietas que restringem hidratos de carbono, comparativamente às low-fat, parecem ter vantagens na redução do peso corporal até 12 meses, melhoria do colesterol HDL e triglicéridos [4]. De acordo com a literatura, as recomendações para a gestão de peso corporal devem ter em conta a qualidade nutricional do plano alimentar, bem como efeitos a longo prazo [5].

Em Portugal, 57,1% da população adulta apresenta excesso de peso (22,3% com obesidade e 34,8% pré-obesidade) [6]. Neste contexto, o Método3Fases foi criado em Portugal no ano de 2006, consistindo numa abordagem nutricional para o tratamento do excesso de peso e obesidade. Tem como objetivos a redução ponderal e de massa gorda (com preservação de massa muscular), bem como a melhoria do estado de saúde metabólico, alteração de estilos de vida e reeducação alimentar, com vista ao sucesso na manutenção do peso perdido [7].

O Método3Fases está estruturado em 3 Fases, com características e objetivos concretos:

A intervenção nutricional deste Método pressupõe uma dieta com restrição energética na ordem dos 25% a 33% face às necessidades energéticas diárias, com a seguinte distribuição de macronutrientes: 10-20% hidratos de carbono, 35-45% proteína, e 35-45% lípidos.

O acompanhamento em consulta é realizado por Nutricionistas, com frequência semanal. De acordo com a evidência científica disponível, o acompanhamento regular feito por um Nutricionista promove a motivação, adesão terapêutica e melhores resultados ao nível da redução e manutenção do peso [8]. A primeira consulta tem a duração de 50 minutos e as seguintes (semanais) de 20 minutos, nas quais se inclui a utilização de estratégias de coaching aplicado à nutrição. Estas estratégias de cognitivo-comportamentais visam, mais uma vez, potenciar a adesão ao tratamento, premissa fundamental para se obterem resultados [9].

A abordagem terapêutica do Método3Fases inclui a prescrição de suplementos alimentares, nomeadamente multivitamínicos e minerais com pré-bióticos, no sentido de complementar as restrições alimentares durante as fases de redução ponderal [10, 11], bem como suplementos que são utilizados como coadjuvantes na perda de peso e massa gorda [12, 13], com ação termogénica [14, 15], hepática [16], supressora do apetite e redução da absorção de gordura [17, 18]. Estes suplementos são utilizados ao longo de toda a intervenção, com abandono gradual dos mesmos durante a 3.ª Fase.

O Método3Fases disponibiliza ainda substitutos de refeição hipocalóricos, com alto teor em proteína, fibra, baixo teor em hidratos de carbono e açúcares simples, com o intuito de facilitar a perda de peso e massa gorda devido ao seu reduzido valor energético [8, 19]. Para além desta vantagem, os substitutos de refeição permitem diversificar o plano alimentar e, com isso, aumentar a adesão ao mesmo.

Em 2020, o Método passou a incluir na sua abordagem os princípios da crononutrição, privilegiando um maior consumo de alimentos na primeira metade do dia, reduzindo assim o aporte energético ao final do dia [20]. Em 2021, a par da restrição energética contínua, o Método3Fases disponibiliza uma nova abordagem para a redução ponderal, nomeadamente o jejum intermitente, de acordo com a evidência científica mais atual [21, 22].

Para além da perda de peso clinicamente significativa [5], o Método3Fases tem como objetivo a longo-prazo o sucesso na manutenção do peso perdido, pelo que toda a abordagem nutricional é orientada nesse sentido. O tratamento da obesidade exige um acompanhamento clínico regular e aconselhamento nutricional especializado no sentido de se manterem comportamentos e estilos de vida saudáveis, que permitam a manutenção do peso corporal a longo prazo [23].

Na era da globalização digital, o Método3Fases disponibiliza ainda uma aplicação web e mobile para os seus pacientes, permitindo uma monitorização constante dos resultados, acesso ao plano alimentar individualizado, promovendo assim mais adesão e envolvimento [24].

A equipa clínica da Divisão Nutrição Farmodiética, que presta serviços de nutrição clínica, onde se inclui o Método3Fases, é constituída por Nutricionistas com cédula profissional da Ordem dos Nutricionistas. Apostamos em formação contínua, investigação e inovação, para apresentar serviços de nutrição cada vez mais especializados, diferenciados e direcionados para o tratamento da obesidade e pré-obesidade.

Saiba mais informações sobre o Método3Fases da Divisão Nutrição da Farmodiética aqui.

Filipa Cortez
Nutricionista Especialista em Nutrição Clínica
Cédula Ordem dos Nutricionistas 0586N
Coordenadora Nacional
DIVISÃO NUTRIÇÃO Farmodiética

Referências bibliográficas

  1. Gardner, C.D., et al., Effect of Low-Fat vs Low-Carbohydrate Diet on 12-Month Weight Loss in Overweight Adults and the Association With Genotype Pattern or Insulin Secretion: The DIETFITS Randomized Clinical Trial. JAMA, 2018. 319(7): p. 667-679.
  2. Makris, A. and G.D. Foster, Dietary approaches to the treatment of obesity. Psychiatr Clin North Am, 2011. 34(4): p. 813-27.
  3. Harris, L., et al., Short-term intermittent energy restriction interventions for weight management: a systematic review and meta-analysis. Obes Rev, 2018. 19(1): p. 1-13.
  4. Chawla, S., et al., The Effect of Low-Fat and Low-Carbohydrate Diets on Weight Loss and Lipid Levels: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients, 2020. 12(12): p. 3774.
  5. Yumuk, V., et al., European Guidelines for Obesity Management in Adults. Obes Facts, 2015. 8(6): p. 402-24.
  6. Oliveira, A., et al., Prevalence of general and abdominal obesity in Portugal: comprehensive results from the National Food, nutrition and physical activity survey 2015-2016. BMC Public Health, 2018. 18(1): p. 614.
  7. Jensen, M.D., et al., 2013 AHA/ACC/TOS guideline for the management of overweight and obesity in adults: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines and The Obesity Society. Circulation, 2014. 129(25 Suppl 2): p. S102-38.
  8. Astbury, N.M., et al., A systematic review and meta-analysis of the effectiveness of meal replacements for weight loss. Obes Rev, 2019. 20(4): p. 569-587.
  9. Muñoz Obino, K.F., C. Aguiar Pereira, and R.S. Caron-Lienert, Coaching and barriers to weight loss: an integrative review. Diabetes, metabolic syndrome and obesity : targets and therapy, 2016. 10: p. 1-11.
  10. Gardner, C.D., et al., Micronutrient quality of weight-loss diets that focus on macronutrients: results from the A TO Z study. Am J Clin Nutr, 2010. 92(2): p. 304-12.
  11. Churuangsuk, C., et al., Impacts of carbohydrate-restricted diets on micronutrient intakes and status: A systematic review. Obes Rev, 2019. 20(8): p. 1132-1147.
  12. Askarpour, M., et al., Beneficial effects of l-carnitine supplementation for weight management in overweight and obese adults: An updated systematic review and dose-response meta-analysis of randomized controlled trials. Pharmacol Res, 2020. 151: p. 104554.
  13. Talenezhad, N., et al., Effects of l-carnitine supplementation on weight loss and body composition: A systematic review and meta-analysis of 37 randomized controlled clinical trials with dose-response analysis. Clin Nutr ESPEN, 2020. 37: p. 9-23.
  14. Vázquez Cisneros, L.C., et al., [Effects of green tea and its epigallocatechin (EGCG) content on body weight and fat mass in humans: a systematic review]. Nutr Hosp, 2017. 34(3): p. 731-737.
  15. Irandoost, P., et al., The effect of Capsaicinoids or Capsinoids in red pepper on thermogenesis in healthy adults: A systematic review and meta-analysis. Phytother Res, 2021. 35(3): p. 1358-1377.
  16. Vahabzadeh, M., N. Amiri, and G. Karimi, Effects of silymarin on metabolic syndrome: a review. J Sci Food Agric, 2018. 98(13): p. 4816-4823.
  17. Torres-Fuentes, C., et al., A natural solution for obesity: bioactives for the prevention and treatment of weight gain. A review. Nutr Neurosci, 2015. 18(2): p. 49-65.
  18. Wawrzyniak, N., K. Skrypnik, and J. Suliburska, Dietary supplements in therapy to support weight reduction in obese patients. Acta Sci Pol Technol Aliment, 2022. 21(1): p. 67-80.
  19. Min, J., et al., The Effect of Meal Replacement on Weight Loss According to Calorie-Restriction Type and Proportion of Energy Intake: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. J Acad Nutr Diet, 2021. 121(8): p. 1551-1564.e3.
  20. Lopez-Minguez, J., P. Gómez-Abellán, and M. Garaulet, Circadian rhythms, food timing and obesity. Proc Nutr Soc, 2016. 75(4): p. 501-511.
  21. Welton, S., et al., Intermittent fasting and weight loss: Systematic review. Can Fam Physician, 2020. 66(2): p. 117-125.
  22. Katsi, V., et al., Chrononutrition in Cardiometabolic Health. J Clin Med, 2022. 11(2).
  23. Hall, K.D. and S. Kahan, Maintenance of Lost Weight and Long-Term Management of Obesity. Med Clin North Am, 2018. 102(1): p. 183-197.
  24. Antoun, J., et al., The Effectiveness of Combining Nonmobile Interventions With the Use of Smartphone Apps With Various Features for Weight Loss: Systematic Review and Meta-analysis. JMIR Mhealth Uhealth, 2022. 10(4): p. e35479.

 

 

 

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