Investigador alertou que o mundo enfrenta grave crise alimentar 472

Sebastian Abis, diretor-geral do grupo Demeter, em entrevista à agência France-Presse, alertou para que o mundo enfrenta atualmente uma grave crise alimentar, ampliada pela pandemia de covid-19.

“Estou mais preocupado agora, mais do que há um ano, com a situação relativa à segurança alimentar, a nível mundial. Já estamos perante uma crise alimentar, a que não chamamos crise alimentar porque é encarada, pela primeira vez, como uma ‘crise pandémica’. Os aspetos da segurança alimentar não estão a ser devidamente explicados”, alertou.

“Assim que a pandemia chegou, nós estávamos a sair de um contexto global de produção agrícola favorável porque as colheitas em 2018 e 2019 tinham sido bastante boas. Não foi o caso de 2020 por motivos climáticos apesar de os agricultores globalmente se terem mantido ativos e a produzir”, explicou Abis.

Segundo o investigador, o mundo está, neste momento, perante uma crise social, política e económica comparável à que se viveu em 2007 e 2008, tendo em conta a dificuldade de acesso aos alimentos pelas pessoas “mais fragilizadas”.

“A fome no mundo ampliou-se com a ‘crise do covid”, sublinha.

“Muitas pessoas que fazem parte da classe média nos países emergentes estão à beira de cair na pobreza”, alerta o investigador, frisando que a crise pandémica está a acentuar grandes diferenças nos preços dos alimentos.

OS fatores sobre a discrepância nos preços foi provocado pelo armazenamento de alimentos, em excesso, por parte de Estados e entidades privadas como medida de precaução, assim como o aumento dos preços nos transportes marítimos e a alta cotação do petróleo.

“Pessoalmente não vejo muitos fatores que conduzam à diminuição dos preços, a curto prazo. Ou ficamos em torno dos preços altos que se praticam atualmente ou podemos até vir a conhecer aumentos adicionais nos próximos meses”, disse o também investigador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS).

Segundo Sebastian Abis, as zonas mais ameaçadas que “misturam” tensões geopolíticas, sociais e problemas estruturais dos sistemas alimentares são o Norte de África, Médio Oriente, alguns países a sul do Saara mas também a América do Sul.

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