Estudo reconhece qualidade do vinho do vulcão cabo-verdiano do Fogo 364

De acordo com um estudo realizado, o vinho Chã, produzido junto ao vulcão da ilha cabo-verdiana do Fogo, é de boa qualidade e tem caraterísticas antioxidantes.

O estudo físico-químico e microbiológico, denominado por “Avaliação da qualidade físico-química e microbiológica do vinho Chã de Cabo Verde”, é da autoria de Maria Teixeira, e resultou da conclusão da tese de mestrado em Portugal da investigadora cabo-verdiana, nas universidades de Évora (Escola de Ciências Sociais) e do Algarve (Faculdade de Ciências e Tecnologias), no âmbito do mestrado em Gestão da Qualidade e Marketing Agroalimentar.

A investigadora analisou o produto final e o processo produtivo do vinho na aldeia de Chã das Caldeiras (que dá nome ao vinho), no único vulcão ativo de Cabo Verde (que teve a última erupção em fevereiro de 2015) e o ponto mais alto do arquipélago (2.829 metros de altitude).

O vinho Chã é produzido através de 1.500 hectares de vinhas de plantações rasteiras que chegam até à quota dos 2.200 metros, em plena encosta do pico principal do vulcão, numa grande cratera de nove quilómetros de diâmetro, onde está inserida a aldeia.

Na aldeia Chã das Caldeiras, todas as família têm uma pequena vinha, plantada em campos que há pouco mais de cinco anos eram de lava incandescente. Essas famílias estão organizadas numa cooperativa, deram origem ao conhecido vinho Chã.

Segundo dados da cooperativa, em 2019 produziram-se 50.000 litros de vinho, metade do normal em ano de chuva, essencialmente branco (75%), mas também tinto (20%) e rosé (5%).

Em declarações à agência Lusa, Maria Teixeira indicou que “o estudo é importante por ser o primeiro do tipo realizado sobre o vinho Chã de Cabo Verde. De certa forma vai ajudar a promover este produto e abrir portas para outros estudos, talvez mais aprofundados, sobre este ou outros produtos de Cabo Verde”.

A investigação teve como objetivos descrever o processo de fabrico do vinho, avaliar as condições de segurança e higiene e as caraterísticas físico-químicas e microbiológicas das amostras daquele vinho, conhecido internacionalmente.

“Depois de analisar todos os parâmetros, físico-químicos, microbiológicos e sensoriais, concluiu-se que o vinho Chã é de boa qualidade, devendo essa vantagem ser aproveitada para criação de estratégias para divulgar a marca, tanto a nível nacional, como internacional”, explicou Maria Teixeira.

Os vinhos tintos “apresentam uma capacidade antioxidante superior aos vinhos rosés, que por sua vez apresentam uma atividade antioxidante superior aos vinhos brancos”.

Do ponto de vista microbiológico, todos os tipos de vinho Chã apresentaram resultados satisfatórios e “verificou-se que não houve desenvolvimento de qualquer microrganismo nos vinhos analisados”.

Para além da avaliação feita pela investigadora, o estudo teve ainda uma componente de provas sensoriais, com as amostras de vinho tinto, branco e rosé a terem uma boa apreciação por parte dos provadores.

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