Estudo mostra que desperdício alimentar mais que duplicou no mundo inteiro 735

De acordo com um estudo da Universidade Wageningen & Research, realizado por Monika van den Bos Verma, Linda de Vreede, Thom Achterbosch e Martine M. Rutten, e que foi publicado em 12 de fevereiro de 2020 na revista PLOS ONE, os consumidores desperdiçam mais alimentos do que pensam.

 

Este estudo “fornece um conjunto de dados de resíduos alimentares de consumo comparável internacionalmente, com base na disponibilidade de alimentos, lacuna de energia e riqueza do consumidor”.

Os dados sugerem que o desperdício de alimentos do consumidor segue “uma relação linear-logarítmica com a riqueza do consumidor”, e tendo em conta os dados analisados, desde 2005 que o desperdício alimentar aumentou para mais do dobro e os mais ricos são considerados os maiores impulsionadores dessa situação.

A investigação indica que “a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que em 2005 um terço de todos os alimentos disponíveis para consumo humano foram perdidos ou desperdiçados. Desde então, esse número tem sido usado como referência para a extensão global de resíduos em toda a cadeia alimentar. Com base na estimativa da FAO, um volume correspondente de desperdício em unidades de calorias foi calculado na literatura existente – vinte e quatro por cento das calorias foram perdidas ou desperdiçadas e oito de vinte e quatro por cento foram desperdiçados nos consumidores”.

Os dados considerados, não tiveram em conta a quantidade de comida deitada fora, nem em consideração que as pessoas financeiramente mais favorecidas, desperdiçam mais do que os mais pobres. Só tiveram em conta que o suprimento de alimentos determina a quantidade de desperdício de alimentos.

Este estudo é então o primeiro a investigar se e como o bem-estar do consumidor pode influenciar o desperdício de alimentos.

Usando um modelo metabólico humano e dados da FAO, do Banco Mundial e da Organização Mundial da Saúde, Van den Bos Verma e colegas quantificaram a relação entre desperdício de alimentos e bem-estar do consumidor. Com a ajuda desse modelo, eles criaram um conjunto de dados internacionais que fornece estimativas do desperdício de alimentos global e específico do país.

Os resultados sugerem que o número de oito por cento é muito baixo e que os consumidores podem ser responsáveis ​​por cerca de dezanove por cento.

Os autores descobriram também que assim que o bem-estar do consumidor atinge um limite de gastos de cerca de US$ 6,70 por pessoa por dia, o desperdício de alimentos começa a ocorrer entre os consumidores.

“A elasticidade da riqueza do desperdício de alimentos e mostra que ele aumenta rapidamente no início, mas depois diminui à medida que a riqueza aumenta”, explica o estudo.

Os dados sugerem que para alcançar um menor desperdício de alimentos em todo o mundo, devemos reduzir o desperdício de alimentos em países de alto rendimento e impedir que cresça rapidamente nos países que atingem o limiar.

“Se as economias em desenvolvimento seguirem o caminho de crescimento das regiões mais desenvolvidas, em breve vamos assistir a uma evolução ainda mais acentuada do desperdício alimentar”, revela o relatório.

Esta investigação indica também que para além da prosperidade, existem muitas outras características e motivos dos consumidores que influenciam o desperdício de alimentos dos consumidores.

No entanto, Van den Bos Verma e colegas acreditam que o método por trás de seu trabalho pode ser usado como base para introduzir a elasticidade do bem-estar dos resíduos como um novo conceito em modelos de consumo empíricos para melhor entender, avaliar e ajudar e a extensão atual do desperdício de alimentos.

Não esquecer que de acordo com o Programa Ambiental da ONU, o aumento do desperdício alimentar a nível mundial é um problema ambiental crescente, que contribui para 10% das emissões de gases de efeito estufa nos países desenvolvidos.

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