Estudo demonstra como se alimentaram os portugueses durante a quarentena 1297

De acordo com um estudo online, realizado durante o mês de abril, por equipas da Universidade de Évora, Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, durante a quarentena houve um menor consumo de carne e pescado frescos, mais enlatados e congelados, aumento ligeiro de hortícolas, pão e lacticínios e expressiva procura de bolos e chocolate.

O estudo veio agora a público pelo portal do Sapo Lifestyle, que indica que durante os 45 dias que durou o período de confinamento doméstico, durante o estado de emergência, os portugueses tiveram de redefinir os seus hábitos alimentares, face à nova realidade. Mais horas em casa, menos atividade física, ansiedade e receio acrescidos, influenciaram as práticas e hábitos alimentares.

O estudo mostra que “o aumento ligeiro do consumo de pão, lacticínios ovos, hortícolas e frutos frescos, leguminosas, foi acompanhado de uma subida mais expressiva no consumo de bolos, bolachas e chocolates, respetivamente com perto de 30%, nas duas primeiras categorias de alimentos e 22,5% para a terceira”.

Ao mesmo tempo “o consumo de cerveja e bebidas brancas diminuiu, assim como a aquisição de pescado e carne fresca, optando os inquiridos pelos congelados e leguminosas em lata”, indicam os dados divulgados.

Um dado interessante teve a ver com fast-food. “Embora 11% dos participantes refiram ter aumentado o consumo de alimentos processados/fast-food, 17% refere a diminuição no consumo dos mesmos”, indica o estudo.

O confinamento levou também a alterações emocionais, com “uma proporção elevada de indivíduos reportar comer para proporcionar uma sensação de prazer, satisfação ou recompensa emocional ou porque se sentem tristes ou frustrados, o que pode explicar o aumento no consumo de bolos, bolachas e chocolates”, explicam os investigadores.

Estas alterações e o estar em casa levaram também a aumento de apetite com um “aumento da prática de petiscar entre refeições (25%), acompanhado de uma maior sensação de apetite/vontade de comer (30%)”.

A quarentena provocou também mudanças nos hábitos de compra. Os resultados mostram uma maior aquisição de alimentos em negócios de proximidade (37%), acompanhada pela diminuição da aquisição de bens em grandes superfícies (31%), e de uma subida, menos expressiva da realização de compras online (15%). Cerca de 50% dos inquiridos reportou comprar alimentos para períodos mais alargados (superiores a uma semana).

Os inquiridos “muitos deles em situação de confinamento total, saindo apenas de casa para fazer compras ou suporte familiar”, revela também ter dedicado mais tempo na preparação das refeições, cerca de 47% deram essa indicação. Isto originou uma “diminuição do consumo de refeições pré-preparadas/comidas rápidas. Os inquiridos experimentam mais pratos novos e novas receitas, assim como uma maior atenção sobre o desperdício e planeamento das compras”.

O estudo termina com 63% a indicar praticar atividade física, 29% das quais uma a duas vezes por semana e 17%, três a quatro vezes por semana, cerca de 45 minutos.

Responderam a este estudo 759 pessoas, maioritariamente do sexo feminino (78%).

Os investigadores indicam que “os resultados vão, depois, ser comparados com os resultados da aplicação do questionário em mais de 22 países de diferentes continentes”.

Envie este conteúdo a outra pessoa