Estudo da UÉ mostra mudanças alimentares no 1º confinamento da covid-19 489

Um estudo da Universidade de Évora (UÉ), publicado na página de artigos científicos Science Direct, mostrou “diferenças no comportamento” em termos de consumo alimentar no primeiro período de confinamento provocado pela pandemia de covid-19.

O estudo internacional, denominado por “Changes in food behavior during the first lockdown of covid-19 pandemic: A multi-country study about changes in eating habits, motivations, and food-related behaviors”, foi coordenado por Elsa Lamy, investigadora do Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED), e contou com a participação de Maria Raquel Lucas, da Escola de Ciências Sociais e Fernando Capela e Silva e Sofia Tavares, da Escola de Ciências da Saúde e Desenvolvimento Humano, da Universidade de Évora (UÉ).

A investigação teve como base 3.332 respostas recolhidos em 16 países, sendo 72,8% na Europa, 12,8% na África, 2,2% na América do Norte (EUA) e 12,2% na América do Sul.

“Os resultados mostram que houve um aumento no consumo de alimentos doces, como bolos e bolachas, principalmente em países desenvolvidos e sobretudo no grupo de pessoas em que as motivações ligadas à busca de prazer e conforto, nos alimentos, é maior. Por outro lado, houve um aumento do consumo de hortícolas, frutas frescas e lacticínios no grupo de pessoas com maior escolaridade e mais motivadas pela saúde”, explicou Elsa Lamy, citada no documento.

Segundo os investigadores, “as principais motivações percebidas para impulsionar a ingestão alimentar foram a familiaridade e o gosto, identificando-se dois clusters diferentes, com base na frequência de consumo alimentar, os quais foram classificados como mais saudável e não saudável”.

Um dos aspetos de destaque deste estudo “foi verificar a existência de dois grupos de participantes, ou seja, um em que as mudanças foram no sentido de uma alimentação mais saudável e outro cuja mudança induzida pela situação de confinamento resultou numa pioria dos hábitos alimentares, sendo muito interessante verificar que são os indivíduos com taxa de escolaridade mais elevada e cujo comportamento alimentar é motivado por fatores relacionados com a saúde e ambiente que conseguiram esta mudança positiva, enquanto que, pelo contrário, menor taxa de escolaridade ficou associado a alterações no sentido de uma alimentação menos saudável em indivíduos cujas escolhas são principalmente motivadas pelo prazer, e regulação afetiva”.

Consatou-se ainda que “que se as pessoas tiveram condições vão cozinhar mais em casa, aumentam o consumo de hortícolas e até consomem mais alimentos em comércio de proximidade (o que também se observou) e esse facto é de extrema importância no contexto atual, em que há uma grande pressão para a promoção de hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis, considerando ainda que o estudo tem a grande mais-valia de ter permitido recolher dados em 16 países e dar uma imagem mais global daquilo que são alterações nos hábitos alimentares provocados por uma situação extrema como a vivida em março-maio de 2020”.

A investigadora reforçou que “é essencial a promoção de uma alimentação saudável”.

“Pensa-se que este conhecimento possa ajudar a definir estratégias mais eficazes, na medida em que as mesmas possam ser ajustadas em função das características de cada indivíduo”, concluiu.

Pode consultar o estudo aqui.

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