Estudo: O cérebro muda enquanto comemos 265

Um estudo do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS), denominado por “Postprandial Hyperglycemia Stimulates Neuroglial Plasticity in Hypothalamic POMC Neurons after a Balanced Meal“, publicado na revista científica Cell Reports, vem mostrar qual é o mecanismo no nosso cérebro que ativa a sensação de saciedade depois de comermos.

Quando temos fome comemos e quando comemos ficamos saciados. Isto parece uma coisa óbvia, mas os mecanismos fisiológicos que o tornam possível são mais complexos do que pensamos.

Por isso uma equipa de cientistas realizou um estudo em ratinhos, que mostrou que se produzem algumas reações no cérebro destes animais depois do aumento dos níveis de glicose no sangue.

Suspeita-se que a saciedade e a fome dependem em parte da plasticidade sináptica, a capacidade dos neurónios de reconfigurar as suas conexões em resposta a certos estímulos.

Os circuitos neurais ativam-se com a comida, e regulam o comportamento dos animais. Porém, parece que a plasticidade sináptica não interfere.

Por isso, os investigadores focaram-se em alguns neurónios do hipotálamo que respondem a uma molécula chamada POMC (pró-opiomelanocortina). Estes regulam o apetite, a ingestão de alimentos, o comportamento sexual, a amamentação e até o ciclo reprodutivo.

Estes neurónios estão conectados com muitos outros e as suas conexões são especialmente maleáveis e sensíveis a alterações hormonais.

Os cientistas observaram que estes circuitos não mudam depois de um ratinho fazer uma refeição equilibrada. No entanto, as células nervosas que geralmente apoiam os neurónios (astrócitos) mudam de forma, isto é, retraem-se.

No caso dos neurónios POMC, os astrócitos atuam, geralmente, como limitadores da sua atividade. Mas os cientistas notaram que, depois de comer, quando os níveis de glicose no sangue aumentam, esses astrócitos detetam o sinal e retraem-se cerca de uma hora. De seguida, os neurónios POMC ativam-se, libertando hormonas e sinais que induzem a sensação de saciedade e que levam o animal a não comer mais.

Curiosamente, a equipa percebeu que uma refeição rica em gordura não ativa este mecanismo. Por isso, num futuro próximo, vai tentar perceber se isto significa que a gordura é menos eficaz na hora de saciar ou se, pelo contrário, induz a saciedade de outra forma. Outra opção é a gordura poder ativar uma sensação de prazer viciante sem chegar a criar saciedade, o que seria realmente uma bomba-relógio para o nosso cérebro.

Pode ler o estudo aqui.

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