A Plataforma Saúde em Diálogo e o Programa FOCUS, financiado pela Gilead Sciences, em parceria com a Associação Nacional das Farmácias (ANF), estão a implementar em Portugal uma iniciativa de rastreio de VIH, hepatite B (VHB) e hepatite C (VHC) nas farmácias comunitárias, com foco na redução do diagnóstico tardio.
A iniciativa decorre nas farmácias comunitárias aderentes nos municípios de Amadora, Sintra, Odivelas e Loures, e destina-se a todas as pessoas adultas com mais de 18 anos. O programa assenta na realização de testes rápidos, gratuitos e acompanhados de aconselhamento pré e pós-teste com referenciação protocolada para os cuidados de saúde, em caso de teste reativo. A participação é voluntária, confidencial e pode ser realizada de forma anónima.
Um aspeto inovador do projeto é a colaboração com associações de base comunitária com experiência no terreno, articulada pela Plataforma Saúde em Diálogo. Em caso de um resultado reativo, e mediante consentimento do participante, a farmácia pode contactar um profissional dedicado destas associações – patient navigator, que apoia o utente na sua jornada no Serviço Nacional de Saúde e garante a integração efetiva da pessoa no circuito hospitalar para confirmação diagnóstica e início atempado de cuidados.
Em comunicado, o diretor internacional do Programa FOCUS da Gilead Sciences em Portugal e Espanha, José Luis González, destaca que “este projeto reflete o compromisso contínuo com a eliminação das infeções por VIH e hepatites virais como ameaças à saúde pública, sendo essencial expandir modelos de rastreio de proximidade que permitam alcançar populações que, de outra forma, poderiam permanecer sem diagnóstico e sem acesso atempado aos cuidados de saúde”.
Jaime Melancia, presidente da Plataforma Saúde em Diálogo sublinha que “as farmácias, pela relação de confiança que mantêm com as comunidades, são um ponto-chave para chegar a pessoas que de outro modo poderiam não realizar estes rastreios. Ao mesmo tempo, a integração das associações de base comunitária, através de profissionais dedicados – patient navigators, assegura que cada pessoa com resultado reativo referenciada é efetivamente acompanhada e integrada no circuito hospitalar para confirmação diagnóstica e início atempado de cuidados’’.
Por sua vez, a Associação Nacional das Farmácias salienta que “as farmácias estão numa posição privilegiada para contribuir ativamente para a saúde pública, pela experiência, proximidade e confiança na relação com as comunidades”. A presidente da ANF, Ema Paulino, sublinha ainda que “este contexto é essencial para ultrapassar barreiras associadas ao estigma que ainda envolve estas infeções, garantindo um ambiente seguro e de confiança ao longo de todo o processo”.
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Apesar dos progressos registados, o VIH continua a representar um desafio relevante em Portugal. Entre 1983 e 2024, foram diagnosticados mais de 66 mil casos de infeção, dos quais cerca de 24 mil evoluíram para SIDA. Embora se tenha verificado uma redução nos novos diagnósticos na última década, o país mantém valores acima da média europeia, com particular incidência de diagnóstico tardio.
Desde 2010, o Programa FOCUS já contribuiu para a realização de mais de 24,7 milhões de testes a nível internacional, fortalecendo sistemas de saúde pública nos Estados Unidos, Espanha e Portugal, através de abordagens sustentáveis e adaptadas ao contexto local, reforçando o papel das organizações comunitárias na resposta ao VIH e hepatites, e promovendo uma integração mais próxima entre a saúde comunitária e o Serviço Nacional de Saúde.




