Cientistas descobriram que comunidades bacterianas conhecidas como biofilmes são capazes de ativar uma “cápsula de escape” para libertar células e garantir a sobrevivência da colónia, abrindo caminho ao combate a bactérias resistentes a antibióticos sem usar medicamentos.
Estas são as conclusões de um estudo da Universidade da Califórnia em San Diego e da Universidade Pompeu Fabra em Barcelona, publicado na revista da especialidade Nature Microbiology, que documenta pela primeira vez este fenómeno, semelhante ao mecanismo usado pelas medusas para expelir células urticantes, enquanto estudavam à bactéria bacilo do feno (bacillus subtilis).
“Descobrimos que, no final do seu ciclo de vida, esses biofilmes bacterianos ejetam à força células específicas da comunidade“, explicou o investigador principal do estudo, Gürol Süel, da Universidade da Califórnia, citado pela agência Lusa.
Para desvendar os mecanismos físicos por detrás dessa expulsão, a equipa de investigação obteve imagens de alta resolução em escala de célula única que permitiram analisar a matriz extracelular que conecta as bactérias.
Os cientistas da Universidade Pompeu Fabra desenvolveram um modelo matemático que confirma que a ejeção é resultado direto de mudanças mecânicas na própria estrutura do biofilme.
As bactérias segregam um polímero que forma um hidrogel capaz de absorver até mil vezes o seu peso em água, e à medida que incha devido à acumulação de fluido, impulsiona as células internas através das camadas externas, expelindo este microrganismos da colónia.
Esta capacidade de dispersão permite que as bactérias garantam o futuro da espécie, desenvolvendo células móveis que podem viajar e colonizar novos ambientes saudáveis.
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Após decifrar o processo, os cientistas conseguiram forçar a completa destruição dos biofilmes através da manipulação genética e química desse polímero, permitindo a eliminação da comunidade sem a necessidade de medicamentos tradicionais.
Este método inovador para destruir bactérias nocivas e resistentes a antibióticos pode ser também uma ajuda na compreensão da disseminação da metástase do cancro, visto que os tumores compartilham características conceituais com os biofilmes bacterianos, destacam os investigadores.




