Congresso ON: Presidente da República, secretários de Estado e diretor do SNS valorizam nutrição

A cerimónia de abertura do 3.º Congresso da Ordem dos Nutricionistas, realizada na passada sexta-feira, 9 de outubro, contou com um rol pouco comum de personalidades políticas que se juntaram de surpresa, de formas diversas, para valorizar o papel destes profissionais, numa demonstração que aponta, de forma inequívoca, para o crescente reconhecimento que a Nutrição tem vindo a conquistar em Portugal.

No auditório do Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Liliana Sousa deu as boas-vindas a todos os colegas que escolheram regressar a um espaço que lhes pertence e que, tudo indica, veio para ficar. “Reconstruir é, muitas vezes, mais difícil do que começar de novo”, explicou, para deixar claro que, “mais do que uma prioridade”, este encontro se traduziu “num compromisso”.

Além das intervenções de Joaquim Ganhão, capelão do Santuário de Fátima, e de Luís Miguel Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Ourém, que abriram as portas daquele espaço aos visitantes, seguiu-se a intervenção, não programada, de Álvaro Almeida, diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que já havia participado no primeiro debate do dia: ‘Da Evidência à Decisão Política: quem decide e com base em quê’.

O responsável começou por reconhecer o trabalho dos nutricionistas, em particular daqueles que exercem funções no SNS, sublinhando o reforço progressivo da sua presença na rede pública. Segundo destacou, o número destes profissionais duplicou na última década, aumentou 25% nos últimos três anos e registou ainda um crescimento de 17% desde o início deste ano.

Congresso ON: “Uma profissão que quer crescer precisa de se encontrar”

Para o diretor do SNS, é fundamental distinguir entre a resposta às necessidades das pessoas e dos doentes, sendo que os nutricionistas podem responder a ambas através da promoção da saúde e da prevenção da doença. Neste sentido, responder aos cidadãos significa, cada vez mais, contar com “equipas multidisciplinares e ter respostas integradas”, pelo que “o papel dos nutricionistas é fundamental”.

Investir no futuro das próximas gerações

Na ausência da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, os secretários de Estado da Saúde, Ana Povo, e da Gestão da Saúde, Francisco Catalão, associaram-se ao Congresso com mensagens de vídeo transmitidas na sessão.

Ana Povo começou por garantir que a profissão de nutricionista “ocupa hoje um lugar cada vez mais central nas políticas de saúde” e recordou tanto o recente relatório do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde sobre alimentação nas creches, como os acordos com a Indústria que permitiram melhorar o valor nutricional de vários alimentos no mercado.

“Investir na nutrição não é apenas investir na alimentação, é investir na saúde, na qualidade de vida e no futuro das próximas gerações e também na sustentabilidade do nosso SNS“, assegurou ainda, enquanto alertou para o facto de não se poder confundir progresso com missão cumprida.

Por outro lado, Francisco Catalão deixou claro que “a nutrição não é uma dimensão acessória da saúde”, mas uma “das suas bases fundamentais”, razão pela qual, explicou, “falar de nutrição é falar de saúde pública, de prevenção, mas também de equidade e de sustentabilidade“.

O compromisso do Conselho de Especialidade de Nutrição Clínica 2026-2030

Por isso, não devemos apenas olhar para a despesa ou para os recursos utilizados no sistema de saúde, já que é igualmente relevante ter em conta “a doença que conseguimos evitar, as complicações que conseguimos reduzir, a autonomia que conseguimos preservar e a qualidade de vida que conseguimos melhorar“.

A voz do nutricionista “é mais necessária do que nunca”

Finalmente, uma mensagem da mais alta figura do Estado – o Presidente da República – que, através de uma carta lida pelo assessor da Ordem Pedro Lourenço, se associou à sessão.

Para António José Seguro, “poucas coisas são tão quotidianas e tão determinantes como aquilo que comemos”, e é neste contexto que o nutricionista “previne a doença, acompanha o tratamento, cuida nos momentos de maior fragilidade e ajuda-nos a fazer escolhas mais informadas e mais livres“.

O chefe de Estado sublinhou particularmente o desafio que, hoje, acarreta a comunicação clara e eficaz de ciência. “Num tempo em que as redes sociais multiplicam conselhos alimentares sem rigor nem responsabilidade, a voz informada e eticamente comprometida do nutricionista é mais necessária do que nunca“, declarou, contando com um aplauso firme por parte da assistência.

 

Ao longo das próximas semanas, o portal VIVER SAUDÁVEL publicará mais artigos sobre os temas debatidos no Congresso da Ordem dos Nutricionistas. Acompanhe todos os conteúdos associados aqui.