
A 3.ª edição do Congresso da Ordem dos Nutricionistas regressou, depois de sete anos de interregno, na passada sexta-feira, 9 de outubro, para retomar uma tradição que, nas palavras da bastonária Liliana Sousa, será para manter.
No auditório do Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, Liliana Sousa deu as boas-vindas a todos os colegas que escolheram regressar a um espaço que lhes pertence e que, nos últimos anos, lhes foi privado. “Reconstruir é, muitas vezes, mais difícil do que começar de novo”, explicou a responsável, para deixar claro que, “mais do que uma prioridade”, este encontro se traduziu “num compromisso” da atual Direção.
A profissão de nutricionista encontra-se numa fase de crescimento – são cada vez mais os cursos superiores a abrir pelo país – de afirmação – política e social, ainda que com uma guerra com vitórias e derrotas – e de crescente visibilidade, o que serviu de mote para o encontro, com o tema ‘Da evidência à influência’. A capilaridade é já, de resto, uma realidade, ou não estivessem os colegas “nas escolas, nos hospitais, nas instituições sociais, no desporto, na indústria alimentar, na investigação científica e na definição de políticas públicas”, elencou a também presidente do Congresso, ao destacar o “contributo próprio e indispensável” de todos eles.
“Uma profissão que quer crescer, precisa de se encontrar. Uma profissão que quer influenciar, precisa de discutir. E uma profissão que quer construir o futuro, precisa de criar oportunidades para o planear”, acrescentou, enquanto ditou que seriam estas as ideias-base para os dois dias de trabalho. Num mundo globalizado, onde a informação, verdadeira e falsa, em grandes quantidades, acarreta inúmeros desafios, “a responsabilidade dos nutricionistas é cada vez maior”, disse.
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Neste contexto, “não basta conhecer, produzir ou publicar evidência”, mas saber como comunicá-la de forma acessível e eficaz. Reconhecendo a alimentação como “uma questão de saúde pública, social, económica e ambiental”, exige-se mais do que a recomendação de uma alimentação saudável: “precisamos de garantir condições para que ela seja verdadeiramente acessível”.
Transformar conhecimento em decisões
Foi com este mote que Liliana Sousa se dirigiu à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que tutela a Ordem dos Nutricionistas e que, mesmo ausente da sessão, receberá a mensagem, foi garantido. “Senhora ministra, temos evidência científica que fundamenta a nossa atuação. Temos profissionais qualificados, necessidades identificadas e soluções que podem ser discutidas e implementadas. O que precisamos agora é de transformar esse conhecimento em decisões concretas”, apelou.
Para a representante da classe, “não podemos defender a prevenção sem garantir os recursos necessários para a concretizar”, da mesma forma que “não podemos falar de cuidados integrados sem assegurar a participação efetiva dos nutricionistas nas equipas e nos diferentes níveis de cuidados”. Mais ainda, “não podemos reconhecer a alimentação como determinante da saúde e deixar por concretizar a resposta que essa realidade exige”.
Liliana Sousa pediu, por isso mesmo, “prioridades claras, estratégias realistas e metas exequíveis ajustadas às necessidades do nosso país”. Mais do que recursos humanos, “trata-se de identificar onde é que estes profissionais são necessários, definir o que pretendemos alcançar e avaliar o impacto das medidas” tomadas. O investimento no nutricionista “tem de considerar os ganhos diretos e indiretos em saúde, a prevenção da doença, a melhoria dos cuidados, os resultados clínicos e a capacidade de reduzir custos futuros”. Ou seja, trata-se de contribuir para a saúde dos portugueses, do sistema de saúde e, claro, dos cofres do Estado, que pouparia consideravelmente com doenças evitáveis que representam custos avultados.
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Dirigindo-se ainda aos bastonários e representantes das Ordens Profissionais que se encontravam na plateia, Liliana Sousa deixou a certeza de que a Ordem dos Nutricionistas “está disponível para trabalhar com os decisores políticos, identificar necessidades, definir prioridades e contribuir para soluções concretas, sustentá-las na evidência e orientá-las para os resultados”. Tudo isto numa ótica de colaboração entre profissões e perante o conceito One Health, que integra a saúde humana, animal e ambiental.
Em jeito de conclusão, levantou-se a origem etimológica da palavra congresso, que significa “caminhar em conjunto”, bem como a intenção de que, no futuro, este Congresso seja lembrado como “aquele em que retomamos uma tradução que nunca mais deixaremos interromper”.
A sessão de abertura contou ainda com declarações de Álvaro Almeida, diretor executivo do SNS, de Ana Povo e Francisco Catalão, secretários de Estado da Saúde e da Gestão da Saúde, respetivamente, e de António José Seguro, Presidente da República, num rol de declarações que, em conjunto, e sob várias formas, demonstraram o apreço político pela profissão de nutricionista.
Ao longo das próximas semanas, o portal VIVER SAUDÁVEL publicará mais artigos sobre os temas debatidos no Congresso da Ordem dos Nutricionistas. Acompanhe todos os conteúdos associados aqui.




