Unicef: Subnutrição aguda entre grávidas e lactantes subiu 25% em 12 países 996

A subnutrição aguda entre mulheres grávidas e mães lactantes aumentou 25% nos últimos dois anos em 12 países duramente atingidos pelo aumento dos preços dos alimentos, promovido pelos combates na Ucrânia, segundo um novo relatório das Nações Unidas.

Inquéritos em 10 países de África e dois do Médio Oriente mais afetados pela crise alimentar foram utilizados num relatório da do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado hoje, um dia antes do Dia Internacional da Mulher.

Uma má nutrição em mulheres grávidas e a amamentar pode levar a uma imunidade fraca e a complicações durante a gravidez e o parto. Alguns países da África subsaariana registaram em estudos anteriores elevadas taxas de mortalidade infantil devido a várias complicações.

Globalmente, 51 milhões de crianças com menos de dois anos de idade são demasiado pequenas para a sua idade devido à desnutrição, uma condição chamada atrofiamento, e metade destas tornam-se atrofiadas durante a gravidez ou nos primeiros seis meses de vida, afirma-se no relatório.

“Sem uma ação urgente da comunidade internacional, as consequências podem atingir as gerações vindouras”, disse a diretora executiva da Unicef, Catherine Russell.

As raparigas e mulheres afetadas aumentaram de 5,5 milhões, em 2020, para 6,9 milhões, em 2022, no Burkina Faso, Chade, Etiópia, Quénia, Mali, Nigéria, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Iémen e Afeganistão, de acordo com o relatório.

A Unicef recomenda o aumento da assistência nutricional e o fornecimento de fortificantes e alimentos básicos altamente consumidos, tais como farinha, óleo de cozinha e sal, para reduzir as deficiências de micronutrientes.

No relatório também se recomenda que seja garantido o acesso das mães grávidas e lactantes a serviços e suplementos nutricionais.

Alguns dos países da África subsaariana têm taxas elevadas de gravidezes adolescentes e baixa frequência de clínicas pré-natais.

Faith Kanini, 28 anos, que vive na capital do Quénia, Nairobi, disse à agência AP (Associated Press) que não tem recursos para frequentar as clínicas pré-natais, embora seja recomendado.

“Eu paguei pelas poucas clínicas que me assistiram. É caro para mim e não posso pagar os prémios mensais do seguro NHIF (State Health) porque estou desempregada e dependo de amigos e familiares”, disse a futura mãe, numa entrevista telefónica.

De acordo com o relatório da Unicef, as mulheres dos agregados familiares pobres têm duas vezes menos peso do que as dos agregados mais ricos.

“A Ásia do Sul e a África subsaariana continuam a ser o epicentro da crise nutricional entre raparigas adolescentes e mulheres, e as regiões onde duas em cada três raparigas adolescentes e mulheres sofrem de baixo peso a nível global, e três em cada cinco raparigas adolescentes e mulheres têm anemia”, acrescenta-se no relatório.

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